Serra fala menos tempo, mas cita mais Alckmin do que Haddad cita Lula; autorreferência une Serra e Russomanno

Serra fala menos tempo, mas cita mais Alckmin do que Haddad cita Lula; autorreferência une Serra e Russomanno

Jose Roberto de Toledo

09 de setembro de 2012 | 20h20

Apesar de ter direito ao mesmo tempo de TV que seu rival petista, José Serra (PSDB) falou 31% menos do que Fernando Haddad (PT) no primeiro terço da propaganda eleitoral. A diferença de quase 13 minutos é esperada, pois Serra é mais conhecido e não pode nem deve aparecer tanto quanto Haddad, que precisa se mostrar. Inesperado é o tucano ter mencionado duas vezes mais o nome de Geraldo Alckmin do que Haddad ter citado Lula: 21 a 10.

O levantamento do Estadão Dados mostra como Celso Russomanno (PRB) domina melhor a linguagem de TV do que seus adversários. Usa palavras mais curtas, um discurso direto (“vamos”, “eu”, “você”) e fácil de entender, além de conseguir falar mais palavras por minuto sem tropeçar nas letras. Usa assim melhor o seu parco tempo de TV.

Haddad falou tanto que usou mil palavras diferentes para conversar com o eleitor -literalmente. Por comparação a Russomanno, seu discurso é muito mais complexo e, por consequência, difícil de entender. A variedade de temas e o conceito do programa (jeitos de fazer o paulistano perder menos tempo) exigem muito mais atenção do espectador. Desconhecido, usou e abusou das referências a seus cabos eleitorais: Lula, Dilma e Marta Suplicy. Eis a nuvem das 100 palavras mais usadas pelo petista:

 

Serra tem o discurso mais autorreferente dos três candidatos. Excluídas as palavras mais comuns da língua portuguesa (como “a”, “as”, “de” etc), a expressão mais comum na sua boca é “Eu”. Ele a usa com duas vezes mais frequência do que “nós”, por exemplo. Além disso, Serra conseguiu repetir oito vezes o próprio nome em suas aparições na propaganda eleitoral. Foram referências repetidas a uma conversa com eleitores. Do tipo: “Ô Serra…”. Além disso, as palavras “governador” e “prefeito”, muito comuns em seu discurso, são referências às suas gestões como governador e prefeito.

 

Russomanno também é autorreferente (ou não seria político), mas faz o “Eu” ser acompanhado do “você”, criando parceria e cumplicidade com o eleitor num “vamos”. Também fala de si e repete o próprio nome, mas menos do que Serra. Usa mais “gente” do que os adversários, algo que tem em comum com os discursos de Lula. Na sua boca, “saúde” é “médico”, e “transporte” é “ônibus” e “metrô”. Em comum, a promessa de “qualidade”. Simples, quase simplório, mas eficiente.

 

 

 

 

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