“Saldo” de simpatizantes mostra tendência à polarização

“Saldo” de simpatizantes mostra tendência à polarização

Jose Roberto de Toledo

19 Fevereiro 2010 | 14h22

A diferença entre o potencial de voto e a rejeição dos pré-candidatos a presidente da República mostra por que a campanha tende à polarização entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Ou seja, entre o principal nome da oposição e a representante governista. Mais do que a intenção de voto estimulada, que a esta altura mostra mais a memória do eleitor sobre os candidatos do que uma decisão firmada, é o que o Ibope apresenta como “saldo” no gráfico abaixo que revela quem tem cacife hoje.

Ibope, fevereiro, 2010, potencial de voto

Ibope, fevereiro, 2010, potencial de voto

Serra aparece com saldo de 35%, mais do que o dobro do de Dilma, que fica em 14%. A vantagem do tucano sobre a petista se deve à combinação de dois fatores: é mais conhecido (só 8% não sabem quem ele é) e tem menor rejeição (29% não votam nele de jeito nenhum). O potencial de voto de 64%, ilustrado pela coluna azul, é consequência. Dilma ainda é desconhecida por 15% e rejeitada por 35% dos eleitores, resultando em um potencial de 49%.

Na prática, apenas esses dois favoritos têm “saldo”. Ciro Gomes (PSB), a linha auxiliar do governo, sobra com 2%: a soma dos eleitores que dizem hoje que votariam nele certamente ou poderiam votar (43%) é praticamente igual ao contingente daqueles que dizem que não votariam nele de jeito nenhum (41%). Talvez esse resultado fosse um pouco diferente se a pesquisa tivesse sido feita após o programa do PSB que foi ao ar esta semana em cadeia nacional de TV.

Marina Silva (PV), a linha auxiliar da oposição, tem déficit de 12%: mais eleitores dizem que não votariam nela (39%) do que declaram simpatia por sua candidatura (27%). Isso se explica porque a ex-ministra do Meio Ambiente é a menos conhecida dos quatro pré-candidatos: um terço do eleitorado nunca ouviu falar dela.

Esses números são a fotografia de um momento e devem mudar à medida que a campanha se desenrola. Na verdade, eles já mudaram em relação à pesquisa concluída pelo Ibope em 30 de novembro passado. Naquela ocasião, Dilma tinha um déficit de 8%. Seu saldo ficou positivo porque ela se tornou mais conhecida dos eleitores, e uma parte deles passou a admitir votar nela.

O saldo de Serra também teve uma oscilação positiva, de quatro pontos percentuais, puxada pela elevação do seu potencial de voto de 60% para 64% (a rejeição manteve-se estável).

Ciro fez o caminho inverso, seu saldo de 13% foi praticamente anulado pelo crescimento de sua rejeição desde novembro: ela aumentou de 33% para 41%. Marina, por fim, viu crescer seu grau de conhecimento e seu potencial de voto, cortando o déficit de 18% para 12%.

Deve-se analisar os dados das pesquisas como um filme. É da comparação dos fotogramas de cada momento que resultam as tendências. A tendência atual é a polarização entre Serra e Dilma. Nada impede, porém, que os ventos mudem e o cenário se transforme. Mas é preciso um fato novo, que quebre a inércia da polarização PSDB x PT.

A pesquisa, encomendada pelo Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo, foi feita pelo Ibope entre 6 e 9 de fevereiro. Ouviu 2002 eleitores de 16 anos ou mais em 144 cidades de todas as regiões do Brasil. Se repetida 100 vezes, em 95 delas os resultados deveriam oscilar dentro de uma margem de erro máxima de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.