Quem são os “diferenciados” da Pnad 2011 do IBGE

Quem são os “diferenciados” da Pnad 2011 do IBGE

Jose Roberto de Toledo

22 de setembro de 2012 | 00h41

Viver no Piauí é, essencialmente, morar numa casa. Lá, nada é mais “diferenciado” do que manter residência em edifício: menos de 1% dos piauienses mora em apartamento. Os outros 99% habitam domicílios que, na definição do IBGE, ocupam com exclusividade o terreno onde estão situados, ou têm acesso independente para a rua. Nada de portarias ou escadas comuns.

Um viajante que rodasse todo o Piauí contaria 86 casas para cada apartamento. Se entrevistasse uma amostra representativa do universo piauiense, precisaria conversar com 117 moradores até encontrar um que declarasse viver num apê. No jargão urbanístico, o Piauí é o Estado menos “verticalizado” do Brasil.

Estatisticamente, nada distingue mais o estilo de vida piauiense do que habitar em casas. A renda é 36% menor do que a média do Brasil, os anos de estudo de seus moradores são 24% menos frequentes. Porém, tais diferenças nem se comparam ao descostume local de empilhar gente em edifícios. A taxa de moradores em apartamentos no Piauí é 90% menor do que a brasileira.

Para quem tem a ambição profissional de ser zelador de edifício residencial o Piauí é o último lugar para procurar emprego. Melhor mudar para Brasília. Lá, 23% dos moradores vivem em apartamentos. É uma tradição que vem da fundação da cidade e que se mantém: em nenhum estado tantos vivem tão sobrepostos em tantas camadas de concreto quanto no Distrito Federal.

No começo eram os apartamentos “funcionais” – imóveis do governo cedidos temporariamente a um funcionário, parlamentar ou governante. Mas a moda pegou e Brasília tem até uma painel de elevador “diferenciado”. Para se descer ao térreo não adianta procurar pelo botão “T”. Tem que apertar o “P”, de pilotis.

O Distrito Federal é a unidade mais diferenciada da Federação. O brasiliense tem dois anos a mais de estudo do que o brasileiro médio, ganha o dobro e tem 65% mais chances de ter um computador com acesso à internet em casa. Mas nenhuma dessas estatísticas o diferencia mais do resto país do que morar tão frequentemente em apartamentos: 157% acima da média brasileira.

Mais fácil do que achar um morador de apartamento no Distrito Federal é encontrar um brasiliense que tenha nascido em outro Estado. São 6 chances em 10. Só em Roraima as probabilidades são comparáveis – mas não devem continuar assim por muito tempo. A taxa de imigrantes do ex-território está diminuindo duas vezes mais rápido do que a de Brasília. Em ambos os lugares, chegam menos forasteiros do que nascem nativos.

Difícil mesmo é encontrar um imigrante no Rio Grande do Sul. Eram 4 chances em 100 no começo do século, são 4 em 100 hoje. E se encontrar, a maior probabilidade é de que tenha vindo dali do lado, de Santa Catarina. O Estado que cresceu graças a sucessivas ondas de migrantes italianos e alemães não atrai gente de outros Estados já se vão décadas.

E o que diferencia o paulista? Não é a renda nem a escolaridade. É tampouco a mistura de imigrantes. O que os moradores de São Paulo têm mais que todos os outros brasileiros é celular e telefone fixo em casa: 61% têm os dois aparelhos ao mesmo tempo -herança de quando telefone fixo valia tanto que aparecia até em declaração para o Fisco.

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