Putin repete Collor, que repete Bush, que repete Mao…

Jose Roberto de Toledo

05 de outubro de 2011 | 17h54

Um assessor de Vladimir Putin confirmou o que o mundo suspeitava: a cena do chefe de governo da Rússia resgatando antiguidades submersas no Mar Negro foi uma armação. Arqueólogos de verdade descobriram os artefatos semanas antes de Putin e depois os recolocaram a pouca profundidade para que o governante pudesse “descobri-los” e trazê-los à tona.

Putin é viciado em armar cenas que os gringos batizaram de “photo op” (oportunidade para foto). Foi clicado repetidas vezes vestindo quimono e sem camisa, segurando armas, pescando, beijando animais e crianças, lutando. Segundo seu boquirroto assessor, é o próprio Putin que imagina e produz suas extravagâncias visuais. Não é o primeiro nem será o último poderoso a usar as câmeras em proveito próprio.

Octagenário, o líder comunista chinês Mao Tsé-tung fez uma imagem convencer 1 bilhão de chineses de que estava apto a governar ao posar para foto tomando banho no rio.

O recurso continuou a ser usado, com maior ou menor talento, por governantes de todas as partes até causar náusea. Quem não se lembra de George W. Bush com uniforme de piloto militar e capacete sob o braço? E Fernando Collor passeando de jet ski, correndo com camisetas fraseadas, simulando pilotar um jato de caça, apontando um fuzil… Pensando bem, até que Putin é modesto.

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