PSD já nasce com vocação governista

Jose Roberto de Toledo

28 de setembro de 2011 | 22h07

É difícil seguir a bússola verbal do recém-criado PSD. Às vezes ela aponta para o centro, às vezes para a esquerda e a direita ao mesmo tempo, e até para lugar nenhum. Melhor do que guiar-se pelo que dizem os ponteiros do 28º partido brasileiro, é seguir o que eles fazem.

O prefeito Gilberto Kassab, por exemplo, já foi malufista, liberal, democrata, serrista. Em comum, o permanente voo de mariposa em torno do calor emanado pelo poder. Nada mais natural, portanto, que seu novo partido seja criado para se aproximar do governo federal petista sem se afastar do governo estadual tucano.

Kassab tem faro de sabujo para detectar quando um astro da política está perdendo a força e rapidez de neutrino para achegar-se à fonte de poder emergente. É uma atração irresistível pelo centro, não importa quem esteja nele. Oposição, só como contingência temporária.

É de acreditar que Kassab e os 40 e tantos deputados contabilizados pelo PSD compartilhem a mesma aderência ideológica. Não chega a ser um novo “centrão” -a frente pluripartidária que comandou votações importantes do Congresso Constituinte-, mas ambiciona reformar pontos nada específicos da Constituição.

Líder ruralista da sigla, a senadora Katia Abreu deve propor uma assembleia constituinte, paralela ao Congresso Nacional, para mudar as cláusulas que sustentam os sistemas político, trabalhista e previdenciário. É claro que, uma vez instalada, seus limites podem se estender a temas como a função social da terra.

Como se vê, o PSD pretende-se protagonista. Se apresenta ao governo -qualquer governo- como alternativa ao PMDB, o centro da política brasileira desde a redemocratização. Mas para ocupar o núcleo do poder, Kassab & cia. precisarão de muita musculação. Dois votos no Senado é tanto quanto têm o PC do B e o PSOL. Só ajuda quando não atrapalha.

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