Prefeitos melhoram na TV

Prefeitos melhoram na TV

Jose Roberto de Toledo

26 de setembro de 2016 | 00h56

A propaganda no rádio e na TV é a melhor amiga dos prefeitos, principalmente dos que são candidatos à reeleição. De 41 cidades onde o Ibope fez pelo menos duas pesquisas desde agosto e há horário eleitoral local, em 25 a taxa de aprovação do prefeito melhorou. Em oito, ficou igual ou oscilou um ponto para baixo. Em outras oito, apenas, a popularidade do prefeito caiu dois pontos ou mais. Mas só dois deles disputam reeleição.

Na média dos 41 prefeitos, a taxa de aprovação aumentou quatro pontos percentuais. Entre os 29 que tentam se reeleger, a popularidade aumentou seis pontos, e a rejeição caiu seis.

Para alguns que já eram bem avaliados, a exposição diária na propaganda ampliou sua vantagem e tornou possível uma vitória já no próximo domingo. Foram os casos de Carlos Eduardo Alves (PDT), que pulou de 40% para 53% nas intenções de voto estimuladas em Natal, e de Carlos Amastha (PSB), que saiu de um empate técnico em Palmas para uma vantagem de 20 pontos em poucas semanas (não há segundo turno na capital do Tocantins).

Entre uma pesquisa e outra, todos os prefeitos foram alvo de críticas dos adversários mas também tiveram a oportunidade de se defender e mostrar o que fizeram nos últimos quatro anos. Os dados mostram que a propaganda é mais eficaz quando o prefeito é também candidato e assume a própria defesa. Entre os que disputam a reeleição os resultados são ainda melhores.

Desses 29, nada menos do que 22 viram sua taxa de aprovação crescer até 16 pontos. Os maiores crescimentos foram verificados em Natal, Juiz de Fora, Recife, Fortaleza, Belém e Joinville.

Para três prefeitos cuja taxa não oscilou ou caiu um ponto, ela era tão alta – na casa dos 80% de aprovação – que a propaganda eleitoral não fez muita diferença: são os casos de ACM Neto (DEM) em Salvador, Teresa Surita – ex-Jucá – (PMDB) em Boa Vista, e de Marcus Alexandre (PT) em Rio Branco.

Só em quatro cidades a propaganda ainda não ajudou os prefeitos: Campo Grande, Aracaju, São Carlos (SP) e Juazeiro do Norte (CE). Nos quatro casos, as taxas de aprovação variavam de 20% a 30% apenas (a média nas 29 cidades onde o prefeito concorre à reeleição é 44%), e a rejeição também era acima da média. Como consequência, nenhum dos quatro lidera em intenção de votos.

Em geral, a propaganda eleitoral eletrônica começa por diminuir a rejeição ao prefeito – para, no momento seguinte, melhorar sua avaliação. Esse efeito positivo não distingue quem é bem ou mal avaliado. Ajudou os desaprovados prefeitos de Belém e Porto Velho, assim como seus colegas populares de Teresina e Maceió.

Por enquanto, quem mais viu sua popularidade aumentar após os programas de rádio e TV foi o prefeito de Juiz de Fora (MG), Bruno Siqueira (PMDB), cuja rejeição caiu 21 pontos e cuja taxa de aprovação cresceu 15 pontos em apenas 18 dias.

Como consequência, o prefeito pulou de 18% para 30% das intenções de voto e se tornou o candidato com mais chances de ir ao segundo turno (se fosse hoje, seria contra Margarida Salomão, do PT). O caso é especialmente interessante porque Siqueira é apenas o terceiro colocado em dinheiro arrecadado. Até sexta, não havia recebido um centavo sequer do seu partido, o PMDB.

Muito embora o horário eleitoral na TV e no rádio seja o melhor amigo dos incumbentes que concorrem à reeleição, ele pode não ser suficiente para catapultar os prefeitos que partiram de patamares muito baixos de aprovação. Fernando Haddad (PT), em São Paulo, viu sua rejeição cair quatro pontos, mas ela ainda é de 48%. Mesmo que a tendência continue na última semana de campanha, ele precisa crescer muito para ir ao segundo turno.

Apesar dos orçamentos reduzidos pela proibição das doações empresariais, a propaganda de rádio e TV está provando que ainda é a principal arma eleitoral dos prefeitos. Mas não faz milagre.

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