Política e riqueza

Jose Roberto de Toledo

19 de julho de 2012 | 21h27

Um candidato a vereador do PSDB é, em média, 57% mais rico do que um adversário do PT. Erros e médias à parte, essa diferença reforça a aparência de que os políticos, militantes e, em última análise, eleitores dos dois partidos têm origem social muito distinta. A imagem da diferença ficou estampada nas duas figuras de proa das duas agremiações: o operário Lula e o professor universitário Fernando Henrique Cardoso. Mas até onde vai essa diferença?

É na base da pirâmide política que a distinção entre PT e PSDB fica mais evidente. Os mapas de votação dos candidatos majoritários dos dois partidos nos últimos pleitos refletem essa divisão. No Brasil, os petistas Lula e Dilma Rousseff foram proporcionalmente muito mais votados nas regiões mais pobres do país, principalmente no Nordeste, enquanto os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin tiveram proporcionalmente mais votos nos Estados e municípios mais ricos.

Dentro das cidades, a mesma lógica político-geográfica se repete. Na cidade de São Paulo, o PT tem um histórico de votação massiva nas periferias pobres e distantes, enquanto os candidatos tucanos -a prefeito, governador e presidente- costumam ter suas maiores margens de vitória no centro expandido e rico da capital.

Mas essa visão em preto e branco (ou em vermelho e azul) omite as votações, muitas vezes expressivas, que ambas as siglas conseguem no quintal do adversário. O PT não tem apenas eleitores pobres nem o PSDB só tem eleitores bem de vida. Se fosse assim, os tucanos nunca teriam conseguido eleger nenhum candidato majoritário.

Subindo-se os degraus da pirâmide política, as discrepâncias entre petistas e tucanos vão se diluindo. Se entre candidatos a vereador -a porta de entrada para a vida partidária- a diferença de patrimônio é de 57%, entre os candidatos a prefeito dos dois partidos a distância é muito menor. Os tucanos que disputam prefeituras este ano são apenas 11%, em média, mais ricos do que os seus rivais do PT.

Isso porque um candidato a prefeito petista é 9 vezes mais rico do que um candidato a vereador do seu próprio partido. No PSDB essa distância é de 6 vezes. Esse fosso se explica por duas razões complementares: de um lado, o sucesso na política partidária e nas eleições é um atalho para os militantes subirem na vida (se não por outro motivo, porque seus rendimentos aumentam), de outro, candidatos mais ricos têm mais facilidade de financiar as cada vez mais caras campanhas eleitorais.

A carreira política é ao mesmo tempo um filtro e um trampolim. Assim, quanto mais para cima na pirâmide, menores as diferenças de patrimônio entre tucanos e petistas. Logo, a tendência é eles se tornarem todos iguais? O dinheiro tende a neutralizar as diferenças de origem social? A resposta a essa pergunta guarda, provavelmente, o futuro da política brasileira.

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