Petismo, migração e voto em São Paulo

Jose Roberto de Toledo

05 de maio de 2013 | 12h51

A concentração de imigrantes de outros Estados é uma das chaves para entender o padrão geográfico de votação na cidade de São Paulo. Historicamente, os candidatos petistas a cargos majoritários são mais votados nas periferias, enquanto os anti-petistas costumam vencer no centro expandido. Esse comportamento tem menos a ver com a renda e a escolaridade do que com a origem do eleitor.

Uma pesquisa inédita realizada pelo Ibope e pelo Estadão Dados conseguiu demonstrar, estatisticamente, que nenhuma variável sociodemográfica guarda uma correlação mais forte com o voto dos eleitores paulistanos do que o bairro onde ele mora. A descoberta virou um estudo cientifico que será apresentado pela CEO do Ibope, Marcia Cavallari, no congresso mundial de opinião pública (66ª Wapor) este mês, em Boston, nos EUA.

Os resultados de um teste estatístico chamado Chi-quadrado encontraram valores mais altos para a associação da preferência eleitoral dos paulistanos com o distrito de moradia do que com outras variáveis estruturais do voto, como cor, renda e grau de escolaridade do eleitor. Novos testes descobriram, depois, que isso se deve, em grande parte, à origem dos moradores.

“A proporção de migrantes (de outros municípios, inclusive de outras cidades paulistas) na área petista é maior do que nas demais áreas”, constata o estudo: 42% contra 35% no resto da cidade. Mas a maior diferença ocorre entre os eleitores que vieram do Nordeste: 55% dos imigrantes nordestinos moram nas áreas onde os candidatos do PT sempre são os mais votados.

Isso significa que dois eleitores com diploma de nível superior ou com renda semelhante têm mais chance de votar em dois candidatos diferentes a prefeito ou a presidente do que se eles tiverem a mesma origem (no caso, os Estados do Nordeste do Brasil) e/ou morarem no mesmo bairro.

A preferência do eleitorado nordestino radicado em São Paulo por candidatos petistas transcende em muito os programas federais de transferência de renda. Uma parcela estatisticamente desprezível deles recebe benefícios do Bolsa Família ou equivalentes. O “petismo” desses eleitores paulistanos parece estar mais ligado à ascensão social e, principalmente, de consumo experimentada por seus conterrâneos ao longo dos últimos 10 anos.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.