Pessimismo econômico derruba popularidade de Dilma ao “piso” pós-protestos

Pessimismo econômico derruba popularidade de Dilma ao “piso” pós-protestos

Jose Roberto de Toledo

27 de março de 2014 | 17h49

A oposição ganhou a primeira batalha das expectativas econômicas de 2014. Uma guinada negativa na percepção sobre a tendência do emprego, inflação, juros e impostos prevaleceu sobre o moderado otimismo que chegou a haver, brevemente, no final de 2013. O aumento do pessimismo sobre o que vai acontecer com a economia este ano explica a perda de popularidade de Dilma Rousseff (PT).

Os 36% de ótimo e bom a que caiu o governo da presidente em março, segundo a

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, é o mesmo patamar em que ele se manteve entre agosto e novembro de 2013. Mas as avaliações negativas sobre o desempenho do governo em matéria de inflação, combate ao desemprego, juros e impostos são recorde nos 39 meses de mandato de Dilma.

A aprovação presidencial vem caindo desde o começo de 2014. Em fevereiro, o Ibope e o Estado registraram que a taxa de ótimo e bom do governo federal havia caído a 39%, após alcançar 43% no fim de 2013. Sabe-se agora, aquele foi um aumento temporário – uma bolha que se consumiu junto com a renda extra que os assalariados haviam obtido ao receber o 13º salário.

Os 36% aos quais a presidente baixou agora foram um “piso” para sua aprovação ao longo do segundo semestre do ano passado. Não é um patamar intransponível – logo após as manifestações, sua taxa de ótimo/bom chegou a 31% -, mas é uma linha de resistência que pode segurar temporariamente a popularidade presidencial.

Porém, mesmo em comparação a setembro, quando o 13º salário ainda não havia influenciado a opinião pública, cresceu a desaprovação à maneira como o governo federal vem conduzindo os impostos (de 73% para 77%), o combate à inflação (de 68% para 71%) e a fixação das taxas de juros (de 71% para 73%).

Não é a melhor maneira de um presidente fechar o primeiro trimestre de um ano no qual disputa a reeleição. O governo não conseguiu transmitir segurança econômica suficiente para evitar a piora das expectativas. Não foi uma piora dramática, mas o bastante para manter a eleição aberta, e a oposição, no jogo.

Os próximos dois rounds serão os trimestres abril/maio/junho, de pré-campanha e diretamente influenciado pela Copa, e a reta final da campanha eleitoral, com todas as candidaturas oficializadas e disputando voto na rua, entre julho e setembro. Perder a batalha das expectativas econômicas no próximo trimestre seria grave para Dilma, mas perder o terceiro seria fatal.

Dilma perdeu mais popularidade nos estratos sociais e geográficos onde ela costuma ter mais dificuldades: entre os jovens, entre os eleitores com mais anos de estudo, e entre quem vive nas metrópoles e no Sudeste. Mas houve também inflexões no Nordeste e entre o eleitorado com nível médio de escolaridade.

A presidente se segura por causa de sua aprovação acima da média nas cidades do interior, entre os mais pobres e entre quem tem menos escolaridade. Se o pessimismo em relação à economia em geral contaminar a percepção desses eleitores quanto à sua própria renda, aí Dilma terá problemas mais sérios.

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