Pesquisa só mostra que Marta é a mais lembrada, e que tucanos não vêem Serra como prefeito

Jose Roberto de Toledo

28 de julho de 2011 | 16h55

A pesquisa Vox Poluli/Força Sindical publicada nesta quinta mostra pontos interessantes, mas tem limitações: a eleição ainda está muito longe (70% não tem candidato espontâneo), o relatório não informa se as entrevistas foram por telefone ou presenciais (influencia o resultado) e não se pode saber se o partido dos candidatos foi informado pelo entrevistador ao entrevistado, como o instituto fez nas pesquisas presidenciais de 2010.

Descontados esses poréns, dá para concluir que:

  • 1) a liderança de Marta Suplicy (PT) em todos os cenários em que aparece como candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, somado ao fato de ela ter o maior porcentual (9%) de intenções de voto espontâneas, mostra que ela é a mais conhecida dos pré-candidatos, petistas ou não, e a mais associada com a cadeira ocupada por Gilberto Kassab (sem partido). Mas o fato de Marta ser também a mais rejeitada evoca o cenário da eleição que ela perdeu para José Serra (PSDB) em 2004. Nem todo o recall de Marta pode se transformar em voto, como não se transformou no caso de Serra em 2010. A vantagem de Marta é que tem de 2 a 3 vezes mais recall do que Aloizio Mercadante, o que aumenta sua velocidade inicial.
  • 2) os 3% de Serra na espontânea indicam que os eleitores tucanos não vêem seu candidato derrotado a presidente como candidato natural a prefeito. Serra sobe para 22% a 26% na estimulada e chega a empatar tecnicamente com Marta (a margem de erro é de 3 pontos), mas trata-se de uma situação em que o eleitor é confrontado com um cenário em que ele, Serra, é a única opção conhecida pelo eleitor tucano para derrotar o rival petista.
  • 3) Fora da polarização PT/PSDB, Celso Russomanno (PP) aparece como tertius mais viável. É um papel que ele tentou desempenhar na eleição de governador paulista em 2010, sem sucesso. Gabriel Chalita (PMDB) não sai de patamar melhor do que Luiza Erundina (PSB) ou Paulinho (PDT).
  • 4) Os pré-candidatos menos conhecidos de PT (Fernando Haddad e Jilmar Tatto) e PSDB (Aloysio Nunes, Zé Aníbal, Trípoli e Andrea Matarazzo) precisarão ter muita exposição para aumentar seu grau de conhecimento e terem chances reais na disputa pela prefeitura. Prévias partidárias poderiam ajudar a torná-los mais famosos entre os simpatizantes de seus partidos, o que é um passo indispensável para se tornarem candidatos de verdade.
  • 5) Kassab não é um eleitor forte, pelo menos até agora.

Em resumo, o quadro está aberto. Não dá para descartar nenhum candidato a priori. Nem há um franco favorito. O cenário atual aponta para uma eleição em dois turnos, o que permite duas coisas: 1) que um não-tucano-nem-petista repita Kassab em 2008 e chegue ao segundo turno, 2) que ter uma rejeição baixa é fundamental para manter as chances de vitória no turno final.

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