Perde e ganha mínimo

Jose Roberto de Toledo

18 de fevereiro de 2011 | 15h09

O governo tratorou a oposição na votação do salário mínimo. E quem ganhou com isso?

Ganham:

PMDB e seus líderes – O partido mostrou por que está sempre no poder, não importa quem vença a eleição. Quando a confederação de interesses tem um objetivo comum, ela alcança 100% de unidade. O partido ganha simbolicamente e, mais importante para seus integrantes, deve levar de troco vice-presidências no Banco do Brasil e na CEF, diretoria na Petrobras, presidências do DNOCS e DNPM, entre outros mimos (sabemos disso graças aos repórteres João Domingos e Eugênia Lopes).

Orçamentariamente, o lucro do partido corre o risco de ser maior do que os cortes que o governo pretende fazer nos seus gastos.

Ganham mais do que perdem :

Dilma e o governo – Mostrou força para extrair os votos dos partidos supostamente aliados. Sinalizou para o mercado e para a sociedade que prioridade é o combate à alta da inflação. Correu risco de desgastar sua imagem junto à base mais popular, cedeu algumas jóias ao PMDB e confirmou que no seu governo continua valendo a prática do “é dando que se recebe”.

Perde mais do que ganha:

Oposição Evidenciou que lhe faltam votos para atrapalhar o governo na Câmara, ao menos enquanto a economia estiver em alta e Dilma mantiver a caneta e o Diário Oficial funcionando. Ao menos ficou com o discurso de que defendeu os mais pobres.

Serra e Aécio foram secundários no embate (note-se que algumas defecções de oposicionistas vieram da bancada de Minas). Alckmin aproveitou para faturar, decretando salário mínimo de R$ 600 em São Paulo. Marcou um tento na disputa interna.

Perdem:

Quem ganha salário mínimo – E os setores do comércio, dos serviços e da indústria que atendem essa base de consumidores. Pela regra implementada, o reajuste será baixo agora e proporcionalmente muito mais alto em 2012. Na média, o reajuste deverá implicar algum ganho de poder de compra.

Por que retardar esse ganho virtual para daqui a um ano, se a inflação é mais um problema de oferta do que de demanda? Talvez porque o governo não tenha segurança de que as coisas estarão de fato melhores no próximo ano e prefira ter margem de manobra para rever essa mesma regra se assim for necessário. O mais pobre pagou a conta.

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