Para Maluf, perda de capital eleitoral dói mais que multa

Jose Roberto de Toledo

04 de novembro de 2013 | 19h08

O que mais chamou atenção na nota divulgada pelos advogados de Paulo Maluf (PP-SP) sobre sua condenação em segunda instância foi a ênfase com que defenderam a tese de que seu cliente não está inelegível. Eduardo Nobre e Patricia Rios escreveram:

“A decisão tomada hoje pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo não impede que Paulo Maluf participe das próximas eleições. A condenação de suspensão de seus direitos políticos somente tem efeito após o trânsito em julgado da ação de improbidade (após todos os recursos cabíveis). Além disso, essa condenação não enquadra o Deputado na Lei da Ficha Limpa que só poderá ser analisada pela Justiça Eleitoral e não pela justiça estadual.”

A preocupação com a inelegibilidade superou a preocupação com a culpa de Maluf. Por que?

Com a Justiça de olho nos seus bens e de seus familiares e de suas empresas, a força política do ex-prefeito se resume à capacidade pessoal de ter uma votação superior à necessária para eleger-se.

Maluf ainda carrega consigo mais um ou dois deputados federais com seu “excedente” de votos. Também transfere eleitores para suas dobradinhas na eleição de deputados estaduais. Tudo isso equivale a minutos de propaganda na TV, a moeda política por excelência – que fez, por exemplo, com que ele fosse procurado por Lula e Haddad em 2012.

Se não puder ser candidato, Maluf perde esse último capital político que lhe restou. Perde assim a força que tem no partido. Tende à completa decadência política. E o PP se tornará mais uma sigla em oferta no mercado de agremiações de aluguel.

Daí o esforço prioritário em afirmar aos correligionários que sua capacidade eleitoral permanece intacta a despeito da condenação. Dinheiro vem e vai; o poder vai, mas não volta.

Tudo o que sabemos sobre:

2014corrupçãoeleiçãopartidospolítica

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: