O efeito “santinho”, a exigência de dois de documentos e a eleição de senador em SP

Jose Roberto de Toledo

18 de setembro de 2010 | 20h50

Partidários de Aloysio Nunes (PSDB) apostam que o tucano vai crescer na corrida por uma das vagas ao Senado por São Paulo por causa da “cola” que os eleitores levarão para a cabine de votação.

Dizem os dem-tucanos que a grande maioria dos candidatos a deputado da coligação -que inclui PSDB, PPS e DEM- imprimiu seus “santinhos” com o número de Aloysio para o Senado. E que candidatos do PMDB fizeram o mesmo, principalmente após a saída de Orestes Quércia da disputa.

Numa eleição em que há 27% de eleitores indecisos, 18% que só citam um candidato e 19% que afirmam pretender anular ou votar em branco, muita mudança ainda pode acontecer. Aloysio tem 22% do total de votos, e está atrás de Marta Suplicy (PT) e Netinho de Paula (PC do B), que têm 36% e 34%, respectivamente.

A disputa pelas duas vagas está concentrada nos três, embora Romeu Tuma (PTB), mesmo com problemas de saúde, não possa ser descartado.

O efeito “santinho” seria mais forte para Aloysio do que para os concorrentes porque a chapa para a Câmara dos Deputados de PT e PC do B está carente de puxadores de voto. Tanto é assim que os petistas concentraram sua campanha no voto de legenda, e dependem de Tiriricas e quetais. É uma de muitas hipóteses que não podem ser aferidas com antecedência pelas pesquisas.

Mas há outro fenômeno que pode impactar a eleição e que o Ibope tentará medir: a obrigatoriedade da apresentação do título de eleitor e de um documento com foto na hora de votar. É a primeira vez que o TSE exige ambos os documentos. Especula-se que muita gente pode ser surpreendida na seção de votação e será impedida de votar.

Os mais pobres terão menos documentos que os mais ricos? Isso beneficiaria os candidatos que lideram na faixa de renda mais alta do eleitorado, como Marta e Aloysio.

A próxima pesquisa Ibope avaliará o impacto dessa mudança imposta pela Justiça eleitoral e sobre quais candidatos ela poderá ter mais efeito. O instituto perguntará se o eleitor tem o seu título, se tem um documento com foto e se sabe onde guardou ambos.

Outra mudança patrocinada pelo TSE também poderá causar confusão, esta na análise dos resultados. Os percentuais de votação dos candidatos ao Senado serão divulgados com a soma dos dois votos chegando a 100%, e não a 200%, como na eleição anterior.

Por essa conta, que também desconsidera brancos e nulos, Marta tem 23%, Netinho chega a 22%, Aloysio vai a 15% e Tuma fica com 12%. Esses são os percentuais que devem ser comparados com os resultados da urna.

Tudo o que sabemos sobre:

2010eleiçãoibopepesquisaSPTSE

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.