No Twitter, Steve Jobs é mais correlacionado à Microsoft que à Apple

No Twitter, Steve Jobs é mais correlacionado à Microsoft que à Apple

Jose Roberto de Toledo

07 de outubro de 2011 | 22h17

Por mais revoluções que Steve Jobs tenha feito no mundo digital, por mais produtos inovadores que tenha lançado nada tem correlação mais forte com seu nome no Twitter do que o seu maior rival, a Microsoft, e seu sistema operacional, o Windows. É o que se constata na série de gráficos de dispersão abaixo. Eles comparam o nome do fundador da Apple, morto aos 56 anos na quarta-feira, com uma série de nomes de empresas, produtos, conceitos e pessoas, em posts publicados no Twitter em 2010.

Nada bateu o coeficiente de correlação de “Steve Jobs” com “Microsoft”: 0,8, em um máximo de 1. Em segundo lugar ficou a dupla “Steve Jobs” x “Windows”, com 0,79. O produto criado por Jobs mais associado a seu nome foi o “iPhone” (0,75), seguido de termos mais genéricos, como “software” (0,73), ou conceitos que Jobs manejou com excelência, como inovação (0,72) e design (0,71).

Também fica claro na comparação dos gráficos que os produtos de consumo criados por Jobs, como o iPhone, o iPad e até mesmo o iPod têm uma associação muito mais frequente ao seu nome do que aquilo que o projetou no mundo digital em primeiro lugar: os computadores Macintosh. Não é à toa que a Apple tirou o Computer do nome.

O que essas comparações mostram é que no Twitter, pelo menos em casos nos quais há forte concorrência, a oposição de duas ideias, marcas, pessoas e conceitos é mais forte do que as associações positivas. Para os tuiteiros, Jobs foi, antes de mais nada, o anti-Bill Gates, o anti-Windows.

Quando a correlação entre dois termos é forte -isto é, quando ambos são citados na mesma nota com frequência- o gráfico tende a mostrar uma linha de tendência diagonal (em azul). Se a correlação for positiva, a linha sobe; se for negativa, cai. Quando não há correlação, a linha tende a ser horizontal ou próxima disso.

Pode-se classificar os resultados pelo coeficiente de correlação. Ele varia de -1 a +1, e quanto mais perto das extremidades, mais forte a correlação, ou seja, mais associadas estão as duas palavras/expressões. Para que se possa dizer que há uma correlação entre os dois termos pesquisados é necessário que o coeficiente seja menor do que -0,5 ou maior do que +0,5, pelo menos. Um coeficiente de 0,8 indica uma correlação positiva (quanto mais um termo aparece, mais o outro aparece também) mais forte do que um coeficiente de 0,62, por exemplo.

 

Quem quiser repetir o experimento ou testar as suas próprias correlações, pode fazê-lo no site onde o pesquisador Scott Golder hospedou a base de milhões de notas publicadas no Twitter e criou mecanismos gráficos para analisá-las.

 

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