No Jornal Nacional, Marina abandona bom-mocismo, dribla interrupções e fala mais

No Jornal Nacional, Marina abandona bom-mocismo, dribla interrupções e fala mais

Jose Roberto de Toledo

11 de agosto de 2010 | 04h06

Marina Silva (PV) deixou o bom comportamento de lado, driblou as interrupções dos entrevistadores e acabou falando mais do que Dilma Rousseff (PT) no Jornal Nacional. A senadora falou durante 9 minutos e 14 segundos, cerca de 30 segundos a mais do que a petista na entrevista da véspera.

Em parte, isso se deveu à atitude da candidata. Ela foi interrompida pelo menos nove vezes pelos entrevistadores, William Bonner e Fátima Bernardes. Mas sempre que isso ocorreu ela não parou de falar, assegurando intervenções mais longas e conseguindo completar seu raciocínio.

Na única vez que levou a interrupção até o fim, Bonner acabou dizendo que “devolveria” 30 segundos à candidata, que aproveitou a oportunidade. Essa nova atitude de Marina, mais incisiva do que no debate da Band, lhe rendeu mais tempo e lhe permitiu concatenar melhor as ideias. Ela conseguiu, por exemplo, conectar o problema ambiental a temas de interesse popular, como educação e saúde.

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A principal falha da senadora foi demorar muito tempo para perceber que deveria olhar para a câmera, ou seja, para o telespectador, em vez de olhar para os entrevistadores. Ela só passou a se dirigir diretamente ao público a partir de quase nove minutos de entrevista. Até então, o que se via era o perfil de Marina, sempre que ela respondia uma pergunta.

José Serra (PSDB) deu sorte no sorteio. Por ser o último a ser entrevistado, poderá tentar evitar todos os erros que suas rivais cometeram, como não olhar para o público. Mais do que isso, o tucano sabe que compensa mais não se deixar interromper. E, se for interrompido, pode usar o precedente da entrevista de Marina e reivindicar 30 segundos a mais de entrevista.

Não é a primeira vez que Serra dá sorte na hora de definir a ordem de quem responde e quem pergunta primeiro. No debate da Band, ele foi o primeiro a perguntar em dois blocos, o que lhe permitiu dirigir suas três perguntas à principal adversária, Dilma Rousseff.

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