No Jornal Nacional, Dilma desiste de bancar independente e assume “meu nome é Lula”

Jose Roberto de Toledo

09 de agosto de 2010 | 21h14

Foi “Lula” do começo ao fim. Mais precisamente, foram seis “Lula” em 12 minutos, uma citação a cada dois minutos. Na Band, em duas horas, foram só três menções.

Dilma Rousseff (PT) deixou de lado os pruridos que exibiu no debate da Band e assumiu o discurso “meu nome é Lula”, durante a entrevista ao vivo no Jornal Nacional da Rede Globo. Não importava o que os entrevistadores perguntassem , ela respondia com “o governo Lula” isso, o “governo Lula” aquilo. Na verdade, as perguntas a ajudaram a citá-lo, porque mencionaram o presidente várias vezes.

Dilma se apresentou como “braço direito e esquerdo” do presidente, a segunda pessoa mais importante do governo. Não fingiu independência. No máximo, arriscou que não pretende repetir, mas avançar o que Lula fez.

Esse é o único discurso que dá votos para Dilma. E pode ser o suficiente para elegê-la. Inventar qualquer outra coisa é arriscar repetir a performance do debate da Band.

Do ponto de vista formal, a candidata conseguiu completar a maior parte das frases. Usou palavras mais simples do que na semana passada. Não gaguejou. E, com alguma insegurança, alternou o olhar entre a câmera (telespectador) e os entrevistadores -embora, equivocadamente, tenha privilegiado o casal.

Ainda falta experiência. Ela transpirou, inventou uma “baixada santista” no Rio de Janeiro, olhou algumas vezes para baixo durante as respostas. Mas conseguiu conter parcialmente o nervosismo, as cifras e as siglas.

Dilma não marcou gol, mas não tomou nenhum frango. Para quem está na frente nas pesquisas, jogar na retranca pode “garantir o resultado”. Não é bonito de se ver, não esclarece nem propõe nada de novo, não resolve as contradições de suas alianças. Mas deixa evidente para o eleitor distraído quem é situação e quem é oposição.

Treino é treino e jogo é jogo. Entrevista não é debate. Enfrentar William Bonner (que chegou a ser contido por Fátima Bernardes ao insistir em uma pergunta) não é o mesmo que encarar José Serra (PSDB) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). Mesmo que o estádio estivesse lotado (36 pontos de audiência no Ibope).

Ir melhor no Jornal Nacional não é garantia de sucesso nos próximos debates. O maior desafio da petista será conter o discurso do “já ganhou” de sua tropa.

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