No JN, Marina fala mais que Serra, que fala mais que Dilma

Jose Roberto de Toledo

13 de agosto de 2010 | 10h35

(texto publicado na edição impressa do Estado)

Os candidatos tiveram aproveitamentos diferentes nas entrevistas ao Jornal Nacional. Dos três, Marina Silva (PV) foi quem falou durante mais tempo: por 9 minutos e 14 segundos. José Serra (PSDB) falou durante 8 minutos e 58 segundos, e Dilma Rousseff (PT) ocupou 8 minutos e 42 segundos com suas respostas.

Proporcionalmente, o aproveitamento dos candidatos foi quase igual, entre 70% e 72% do tempo da entrevista. Mas variou, em valores absolutos, porque o tempo total das entrevistas foi diferente. A conversa com Dilma durou 12 minutos e 24 segundos, a com Serra, 12 minutos e 41 segundos, e com Marina, 13 minutos.

Os dois candidatos de oposição também deram mais respostas, diversificando a pauta da entrevista. Dilma fez 9 intervenções, contando a mensagem final. Marina fez 11, e Serra, 14.

Os apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes tentaram controlar as falas dos entrevistados e os interromperam várias vezes. Mas a reação dos candidatos foi diferente, produzindo resultados distintos sobre o tempo total da entrevista.

Primeira a participar do programa, na segunda-feira, Dilma foi interrompida 15 vezes pelo casal de entrevistadores. A petista parou suas respostas na maioria das vezes, ou entrou em discussões pontuais com Bonner, cortando a linha de raciocínio que vinha seguindo. O jornalista chegou a ser contido por Fátima em um dos embates com a entrevistada.

Marina sofreu menos interrupções, mas não foram poucas: nove vezes. A candidata do PV não parou de falar quando foi interrompida nas primeiras vezes. Apenas depois de várias tentativas, Bonner insistiu a cortou a fala de Marina, mas acabou dizendo que “devolveria” 30 segundos a ela, pela interrupção. Por isso, foi a entrevista mais longa das três.

Último a ser entrevistado, Serra não cometeu alguns dos equívocos das adversárias. Na maior parte do tempo, olhou diretamente para o telespectador, muito diferente, por exemplo, de Marina, que nos 9 primeiros minutos de entrevista olhou apenas para os entrevistadores. O tucano também se preocupou em sorrir mais.

Foi interrompido 12 vezes, mas foi mais conciso nas respostas. Dilma, por exemplo, gastou mais de 1 minuto em 5 de suas 9 respostas. Respondendo quase sempre em menos de 1 minutos, Serra acabou falando sobre mais temas do que as adversárias. Apenas nas considerações finais, Serra demorou demais e não conseguiu concluir seu discurso.

Dilma mudou de estratégia em comparação ao debate na Band. Se preocupou em associar seu nome ao do presidente Lula desde o começo da entrevista. Citou 18 vezes o “governo”, usou o plural “nós” 16 vezes, sempre como sinônimo de sua atuação ao lado do presidente, e se apresentou como “braço direito e esquerdo” de Lula.

Marina deixou de lado o bom-mocismo que exibira no debate da Band e foi mais incisiva. Falou praticamente quanto quis. Usou frases mais longas que os rivais, falou muito em primeira pessoa -disse “eu” 44 vezes, tantas quanto Serra- e procurou conectar seu tema predileto, o meio ambiente, à vida das pessoas, associando-o à educação e à saúde.

Serra falou “Lula” tantas vezes quanto Dilma (sete), mas porque foi provocado por Bonner. Tematicamente, dividiu-se entre seu tema predileto, a “saúde” (8 citações), e um assunto a que foi levado a falar a respeito por causa das perguntas: “estradas” (8 menções).

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