Na esteira do 11/9, economia dos EUA cai e leva Obama e Congresso republicano junto

Jose Roberto de Toledo

08 Setembro 2011 | 16h02

Barack Obama continua no ponto mais baixo de sua popularidade (41% de aprovação, na média mensal do Gallup), mas não está sozinho. O Congresso dos EUA, de maioria republicana, lhe serve de consolo. Segue no mesmo caminho do presidente, mas muitos andares abaixo: só 13% aprovam o trabalho dos congressistas. Em comum, a queda das opiniões otimistas (ou neutras) sobre a economia norte-americana: só 22%.

http://pollingmatters.gallup.com/2011/09/obamas-speech-not-likely-to-have.html

Resumindo: ninguém ganha quando a economia vai mal. Os oposicionistas republicanos podem argumentar que Obama ganharia mais se ela fosse bem. Mas daí a sabotar as tentativas de resolver o problema do déficit das contas públicas, da recessão e do desemprego vai um longo e duvidoso tiro no escuro. Por isso, não vai ser um discurso que vai mudar as tendências. Se não sabem, os norte-americanos ao menos desconfiam que ninguém é inocente nessa história.

Na era Bush filho, os republicanos financiaram uma guerra que os EUA não podiam pagar aumentando irresponsavelmente a sua dívida. O “mercado”, que de racional só tem a aparência, engoliu dólares e títulos da dívida pública norte-americana às toneladas, sem se importar com os “fundamentos” macroeconômicos do país. Vieram o desequilíbrio da economia, Obama e mais do mesmo. Nada foi feito, nem por democratas nem por republicanos, para consertar o problema. A fatura está demonstrada no gráfico acima.

A guerra (contra o terrorismo, contra o Islã ou o que o leitor preferir) foi uma resposta política a um problema que, como a história mostrou, as bombas não podem resolver. Depois de 10 anos, os EUA gastaram bilhões e bilhões de dólares, mataram o terrorista-símbolo do ataque sofrido em 11/9, mas estão em situação muito pior do que estavam. Perderam o respeito político de boa parte do mundo e dividiram a hegemonia econômica com a China.

A satisfação do público norte-americano pela morte de Osama Bin Laden é registrada por aquele último e fugaz pico de otimismo nas três linhas do gráfico. Foi tão pequena e rápida que mal pode ser notada na tendência morro abaixo da popularidade do presidente e do Congresso e da confiança na economia. A vingança custou tão caro que não compensou.