Datafolha acende luz amarela para Dilma, apesar da aprovação alta

Jose Roberto de Toledo

13 de junho de 2011 | 17h01

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sinaliza que acabou o período de carência do governo Dilma Rousseff. Caiu 75% o porcentual dos brasileiros sem opinião a respeito do desempenho presidencial. Dilma manteve um saldo positivo alto -ele variou de 40 para 39 pontos nos últimos três meses- mas aumentou o pessimismo sobre a economia, o que às vezes é um primeiro passo para as pessoas mudarem de opinião sobre o governo.

A maioria absoluta acha que a inflação vai aumentar. Eram 41% há três meses, agora são 51%. Também caiu 10 pontos o porcentual dos que acreditam que o poder de compra vai subir. Ao mesmo tempo, cresceu 7 pontos a fatia dos que acham que ele vai diminuir.

A preocupação com a inflação é uma ameaça séria à popularidade da presidente no futuro próximo. Previsões de aumento de preços são auto-realizáveis. Se as pessoas esperaram que os preços vão subir, podem ficar mais inclinadas a antecipar as compras, aumentando a demanda e pressionando os preços.

O apoio à presidente depende mais agora do Nordeste e Norte/Centro-Oeste do que há três meses. Sua popularidade cresceu ou ficou estável nessas regiões, enquanto caiu no Sudeste e oscilou negativamente (dentro da margem de erro) no Sul. Dilma também perdeu apoio entre os mais escolarizados (talvez por causa do caso Palocci) e na camada da população que está na faixa de renda intermediária.

A presidente ainda tem capital político para gastar, mas as medidas de controle da inflação que ela foi levada a adotar já começaram a cobrar seu preço. Dilma se segura nas regiões onde a economia ainda segue acelerada. Mais do que o prestígio herdado de Lula, é o consumo das famílias que vai ditar a popularidade de Dilma nos próximos meses.

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