Melhor avaliação, confronto e religião explicam alta de Dilma

Jose Roberto de Toledo

12 de setembro de 2014 | 13h47

Três fatores contribuem para equilibrar o cenário eleitoral no segundo turno: a propaganda positiva na TV que aumenta a popularidade do governo e dá coesão à base de apoio do PT, a propaganda negativa que rebaixa o teto da oposição, e uma cisão religiosa que distancia eleitores católicos de evangélicos.

A conta é simples: a intenção de voto em Dilma Rousseff (PT) cresce quando a avaliação de seu governo melhora. Na série histórica do Ibope, a taxa de ótimo+bom de Dilma saiu de 31% no fim de julho para 32% no começo de agosto, foi a 34% no fim daquele mês, chegou a 36% na semana passada e, agora, bateu em 38%.

A intenção de voto em Dilma no primeiro turno caiu de 38% para 34% quando Marina Silva substituiu Eduardo Campos na chapa do PSB, mas voltou a 37% ma semana passada e chegou agora a 39%. As proporções entre boa avaliação e intenção de voto se mantêm.

O presidente, seja ele quem for, converte 8 de cada 10 pessoas que avaliam bem o governo em eleitores seus. É uma constante descoberta pelo Ibope e pelo Estadão Dados. Nesta pesquisa CNI/Ibope, 31 dos 39 pontos de Dilma vêm de quem acha seu governo ótimo ou bom. Os oito restantes vêm dos que dizem “regular”.

Quanto mais bem avaliado o governo, maior o manancial de eleitores disponível para o candidato incumbente. Do mesmo modo, quando o lago do ruim+péssimo seca, diminuem as possibilidades dos candidatos de oposição pescarem eleitores. A pergunta é: por que a avaliação do governo Dilma está melhorando, e entre quem?

Pistas vêm da pesquisa: a avaliação negativa da condução de políticas públicas pelo governo ficou menos ruim em todos os itens avaliados pela CNI/Ibope. Pode ser fruto da campanha positiva feita pelo PT no horário eleitoral. Nota-se isso pelo aumento da intenção de voto em Dilma nos segmentos tradicionais do seu eleitorado. A propaganda ajuda a uni-lo. Dá argumentos para esse eleitor defender o governo e seu voto nele.

Uma hipótese complementar é que a propaganda negativa feita pelo PT tenha imposto um teto ao crescimento de Marina, principalmente nas regiões que historicamente favorecem os candidatos a presidente do PT. Na simulação de segundo turno, Dilma ampliou a vantagem sobre Marina para 27 pontos no Nordeste, virou no Norte/Centro-Oeste e empatou no Sul. Ao mesmo tempo, Marina ampliou a diferença para 21 pontos no Sudeste.

Ao mesmo tempo que fica mais claro o cenário de divisão norte-sul do eleitorado, agudizam-se as diferenças religiosas. Na simulação de segundo turno, Dilma abriu oito pontos entre os católicos (estavam empatadas na semana passada), enquanto Marina manteve uma vantagem superior a 20 pontos entre os evangélicos.

Tanto pode ser porque Dilma cresceu em regiões geográficas onde há mais católicos, como o interior do País e o Nordeste, quanto pode ser consequência do fato de Marina ter cedido à pressão de líderes evangélicos e mudado seu programa de governo para receber seu apoio.

A corrida eleitoral ficou mais parecida com o tipo de campanha que o PT está acostumado a travar: de confronto e polarização. A diferença é que, desta vez, em lugar do PSDB está Marina. Ao forçar o enfrentamento, o PT tira Marina de sua zona de conforto e inviabiliza o discurso “paz e amor” da candidata do PSB.

A campanha de Dilma quer “nós contra eles”, enquanto a de Marina prega o “todos juntos vamos”. É um governo de um lado versus um governo de união. O específico versus o difuso. Está funcionando, pois nivelou os pisos eleitorais de ambas no segundo turno e rebaixou o teto de Marina, que está pouco acima do de Dilma: 51% a 48%. Ainda estão incertos os limites da estratégia petista e se ela será suficiente para a reeleição.

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