MDA fotografa queda já vista de Dilma e empurra Aécio

Jose Roberto de Toledo

29 de abril de 2014 | 20h00

Que Dilma Rousseff (PT) perdeu eleitores, Ibope e Datafolha já haviam mostrado em suas pesquisas de abril. A sondagem MDA/CNT não mostra uma nova queda da presidente. É o mesmo tombo, mas acaba contando dobrado (ou triplicado) porque a tradição no Brasil é não comparar pesquisas de institutos diferentes – algo tão lógico quanto não comparar a temperatura de um termômetro digital com o velho termômetro de mercúrio.

O resultado é mais um fato negativo para a coleção de Dilma – como já haviam sido as notícias sobre a queda da presidente no Datafolha e, depois, no Ibope. Mas é do jogo. Se e quando ela vier a crescer a notícia também sairá repetida – como já aconteceu quando a popularidade presidencial estava em alta.

Em abril, Dilma desceu para um patamar médio de 38%, no cenário com três candidatos e sete anões. Marcou 38% no Datafolha, 40% no Vox Populi, 37% no Ibope e, agora, 36% no MDA/CNT. Ela chegou a ter 44% (Datafolha) em fevereiro, caiu para 40% (Ibope) em março e baixou ainda mais em abril. A repetição de um resultado semelhante em três institutos indica que ela parou de cair? Melhor esperar maio e a próxima rodada de pesquisas.

Se há novidade na pesquisa MDA é o suposto crescimento de Aécio Neves (PSDB) e de Eduardo Campos (PSB). O tucano marcou surpreendentes 22% na pesquisa contratada pela CNT – que, apenas a título de transparência, é comandada há décadas por Clésio Andrade, um político mineiro que já foi vice de Aécio, aliou-se ao governo federal do PT e voltou para a banda da oposição.

Os 22% de Aécio são muito maiores do que os 16% que ele tem obtido no Datafolha e os 14% que vem registrando no Ibope. Mais importante do que a divergência numérica é a de tendência. No Datafolha e no Ibope os candidatos de oposição aparecem estáveis. Não se aproveitaram da queda de Dilma. Na pesquisa MDA Aécio deu um salto de cinco pontos percentuais desde fevereiro.

Pode ser que o MDA tenha detectado um movimento novo do eleitorado: em vez de dizer que pretende anular ou votar em branco, o eleitor estaria olhando os opositores com mais benevolência. Ou pode ser apenas um ponto fora da curva – as próximas pesquisas dirão (há uma Sensus em produção, mas convém esperar pela próxima rodada do Ibope e Datafolha).

Toda pesquisa, porém, é um fato político que influencia a campanha. Verdade ou não, o pulo do tucano (e o ganho aparente de dois pontos por Campos) vai ajudá-lo porque melhora o moral de seus correligionários e desobstrui a relação com doadores e com potenciais aliados. Tira sua campanha da inércia, por ora. Se essa nova dinâmica vai se sustentar são outros quinhentos.

A eventual transferência de eleitores da coluna do branco/nulo para a oposição é algo que se prevê que ocorra – agora ou mais tarde- pois o perfil desses eleitores se assemelha mais entre si do que com os eleitores de Dilma. Por isso que o cenário de uma eleição presidencial em turno único é uma miragem aritmética.

As pesquisas mostram uma tendência de acirramento da disputa. Se nenhuma catástrofe ocorrer até outubro, é provável que as definições de quem passará com Dilma para o segundo turno e de quem vencerá a disputa final se darão por margem apertada. É um cenário em que a propaganda ganha importância. Bom para os marqueteiros e para os partidos que têm tempo de TV para alugar.