Marina recupera eleitores históricos e ameaça rivais

Perfil do eleitor encontrado pelo Datafolha é o mesmo que votou em Marina em 2010: jovens, universitários, moradores das metrópoles e evangélicos

Jose Roberto de Toledo

18 de agosto de 2014 | 16h39

Analisando-se os cruzamentos da pesquisa Datafolha, vê-se que Marina Silva (PSB) recuperou seus eleitores históricos: os muito jovens (7 pontos acima de sua média), os com curso universitário (9 pontos acima), os de renda mais alta (8 pontos acima), os moradores das grandes e médias cidades (4 pontos), e os evangélicos (até 6 pontos acima da média).

Do ponto de vista geográfico, sua força maior continua sendo no Norte/Centro-Oeste e no Sudeste. Ela teve como sempre teve mais dificuldades no Sul e no Nordeste. Vai melhor nas metrópoles do que no interior. É o mesmo perfil de quem votou nela para presidente em 2010.

São eleitores que optam por Marina porque perderam a confiança no PT e no PSDB. Seus motivos variam. Há os que se desencantaram com a falta de solução para problemas eternos nos serviços públicos, pela corrupção ou pela mera ladainha de petistas acusando tucanos acusando petistas, numa ciranda sem fim nem propósito senão o de se alternarem no poder.

Mas há também aqueles que elegem Marina por causa da fé da candidata. Ela chega a 29% entre evangélicos não-pentecostais e a 27% entre os pentecostais. Por comparação, tem 19% entre católicos e 23% entre agnósticos e ateus.

Parece que Marina não tira votos de Dilma Rousseff e Aécio Neves, porque as intenção de voto em ambos não se alteraram no Datafolha. Mas pode ser miragem. Dilma pode ter ganho de um lado – afinal, a avaliação de seu governo melhorou – e perdido para Marina o mesmo tanto que ganhou.

O fato é que Marina rebaixa o teto de Dilma e de Aécio. No cenário sem a candidata do PSB, a petista chega a 41% e o tucano, a 25%. Ou seja, cada um deixa de ganhar 5 pontos por causa de Marina. E o estrago pode crescer.

Até agora, Marina recuperou seus eleitores históricos que estavam acantonados com Eduardo Campos e com os nanicos, ou estavam indecisos e declarando voto nulo e branco. Marina personificou o seu protesto e pode vir a incorporar outros protestantes – sejam religiosos, sejam manifestantes.

Vai depender, claro, de sua atuação, mas também dos seus adversários. Quanto mais Dilma e Aécio se digladiarem entre si, mais insatisfeitos Marina terá para recolher em sua urna. Ela tem a menor rejeição e o maior potencial de crescimento.