Mais do que a oposição, desafio de Gleisi deverá ser o PMDB

Jose Roberto de Toledo

07 de junho de 2011 | 21h00

A nomeação da senadora Glesi Hoffmann (PT-PR) para o lugar de Antonio Palocci na Casa Civil tem uma dose de surpresa, mas não chega a ser uma invencionice da presidente Dilma Rousseff.

Apesar de estar no primeiro mandato,  Gleisi conhece o Congresso. Nos anos 90, foi chefe de gabinete de seu marido, o ministro Paulo Bernardo (Comunicações), quando este era deputado federal. Nessa época, Gleisi se especializou em analisar o Orçamento Geral da União e se tornou referência entre os jornalistas que cobriam a Câmara. Já no governo Lula ela foi diretora de Itaipu, uma estatal onde há pressões políticas binacionais: brasileiras e paraguaias.

As duas experiências profissionais devem ter ensinado a nova ministra a lidar com pedidos de parlamentares, algo muito útil para um chefe da Casa Civil. Mesmo assim, haverá desconfiança quanto à capacidade da nova ministra manejar um posto que derrubou seus dois últimos ocupantes.

Apesar de logo na primeira entrevista Gleisi ter dito que a missão que lhe foi confiada por Dilma é cuidar da gestão, do andamento dos projetos no governo, é impossível dissociar a Casa Civil da articulação política. Como é a última instância para uma demanda chegar à presidente, todos os políticos assediam o ministro de turno. Das nomeações às prioridades orçamentárias, o poder passa pela Casa Civil.

O maior problema de Gleisi não deverá ser a oposição, mas os aliados peemedebistas, a começar de outro senador paranaense, o ex-governador Roberto Requião, que não é exatamente um fã da sua conterrânea. Costurar a esgarçada base aliada é uma tarefa difícil e vai requerer muito jogo de cintura da nova ministra. Não deve demorar para o PMDB colocar Gleisi em teste.

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