Lula, Maluf, Vargas

Jose Roberto de Toledo

20 de junho de 2012 | 19h20

Na Rio+20, Lula não passou recibo da avalanche de críticas. Fez piada da foto com Paulo Maluf, dizendo que seu retrato com Dilma Rousseff seria “ambientalmente correto”. Sobre a aliança com o antigo adversário, saiu-se com uma meta-referência: “Pior seria se não houvesse repercussão”. É a versão ambientalmente correta do “falem mal mas falem de mim”, que notabilizou o jeito malufista de ser.

Se o mais importante é vencer, Lula tem razão. Como disse Fernando Henrique Cardoso, também na Rio+20, “(a foto) só terá impacto eleitoral se a oposição usar. Mas nem todos podem usar”. José Serra (PSDB) tem lá seus aliados incômodos, a exemplo do PR de Valdemar Costa Neto. A missão de criticar sobra para as linhas auxiliares tucanas, mas seu tempo de TV é escasso -pela falta de alianças com outros partidos.

Lula, pelo dito, não se arrepende de ter imposto a aliança com Maluf. Nem mesmo de ter posado para os fotógrafos na casa do ex-inimigo. Afinal, pelo raciocínio do ex-presidente, o único problema de seu candidato a prefeito paulistano, Fernando Haddad, é o desconhecimento. Logo, um episódio que rende manchetes mais ajuda do que atrapalha, pois puxa o pupilo do anonimato para a ribalta -não importa em que papel.

Se Haddad ganhar a eleição, Lula corre o risco de ser chamado de gênio -maquiavélico, mas gênio-, por ter arquitetado e implementado uma estratégia criticada por todos. Como aconteceu com Getúlio Vargas, vai ter quem diga “esse pernambucano é mineiro”. Se Haddad perder, a derrota será compartilhada. É o clássico “eu ganho, nós perdemos”.

A eleição de outro neófito pinçado por Lula seria a confirmação de sua doutrina: prévias partidárias são uma bobagem; a coerência política que importa é ganhar sempre; o aliado faz a hora e vice-versa. Seja qual for o resultado da eleição, Lula marcha para o caudilhismo getulista, e o PT, obediente, evoca cada vez mais o antigo PTB. Não existe vitória grátis.

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