Kassab e “governo para rico” rebaixam teto de tucano

Jose Roberto de Toledo

26 de outubro de 2012 | 22h35

O potencial de voto de José Serra (PSDB) é 11 pontos menor do que o de Fernando Haddad (PT), segundo o Ibope. O petista conta com 59% de eleitores que dizem que votariam nele com certeza (45%) ou poderiam votar (14%). Para Serra esse porcentual só soma 48% (33% + 15%), e equivale a quantos dizem que não votariam nele de jeito nenhum (47%). A rejeição a Haddad é 16 pontos menor: 31%. O teto do tucano, portanto, é mais baixo.

O principal motivo é a insatisfação do paulistano com o prefeito Gilberto Kassab (PSD): 48% acham seu governo ruim (16%) ou péssimo (32%). A taxa coincide com a rejeição a Serra. O tucano não apenas é o responsável pela eleição do atual prefeito como montou uma estratégia de campanha que tratou a gestão Kassab como uma extensão da sua. A aposta era que a propaganda eleitoral melhoraria a opinião do eleitor. Não melhorou.

Ao desejo de mudança – uma das forças mais poderosas em qualquer eleição – junta-se um desgaste da imagem de Serra. As disputas sucessivas das eleições de presidente, prefeito, governador, presidente e prefeito de novo deixaram a impressão em muitos eleitores de que o tucano usa a Prefeitura de São Paulo apenas como trampolim para voos mais altos. Não acreditam no seu compromisso de cumprir o mandato até o fim, se eleito fosse.

Finalmente, Serra tem uma barreira geográfica difícil de transpor. O tucano não passa de 25% entre os eleitores na zona petista da cidade: as extremas periferias Leste, Sul e Norte, onde os candidatos do PT foram os mais votados nas últimas quatro eleições majoritárias. Os outros 75% dos moradores dessas áreas parecem acreditar que ele governa para os ricos.

A campanha de Serra identificou o problema e tentou atacá-lo de forma ostensiva. Tanto na propaganda eleitoral quanto nos debates do segundo turno, o tucano repetiu exemplos de ações suas como governante que foram dirigidas aos pobres. Até o começo desta semana os argumentos não tinham sido suficientes para melhorar a posição de Serra junto ao eleitor da periferia.

Tudo o que é um problema para Serra é vantagem para Haddad. Por ser neófito, o petista não acumula desgastes de outras eleições. Sua campanha foi calcada na crítica à administração de Kassab e na proposta de mudança. Haddad demorou mas acabou herdando o eleitorado petista das periferias. Alcançou mais de 60% de intenção de voto nessas regiões. Mais do que isso, foi mais votado do Serra em toda a zona petista no primeiro turno.

A inexperiência do petista em cargos eletivos parece ter sido compensada pelo preferência por uma novidade política e administrativa. Nem a campanha negativa do PSDB na TV e no rádio conseguiu abalar, ao menos até agora, a disposição da maior parte dos paulistanos em votar pela renovação. Mas até o último eleitor teclar “confirma” no domingo, é imprudente descartar a possibilidade de uma surpresa, por mais improvável que pareça.

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