Haddad cresce, mas não na periferia, diz diretora do Ibope

Jose Roberto de Toledo

25 de setembro de 2012 | 20h19

A pesquisa Ibope é um lembrete de que eleição só termina quando acaba. O cenário que parece definitivo hoje é diferente do de ontem. E é normal que seja assim. Uma das poucas coisas que não mudam é o hábito de muitos eleitores escolherem seu candidato apenas nos últimos dias da campanha, aumentando a volatilidade da intenção de voto ao longo do processo.

Por isso as tendências são mais importantes do que os números, ao menos até a pesquisa da véspera da eleição. E o que mostram as tendências? Com a palavra, a CEO do Ibope inteligência, Márcia Cavallari.

Segundo ela, Celso Russomanno (PRB) segue firme na liderança, com uma “intenção de voto homogênea e consistente”. Ou seja: as oscilações de sua intenção de voto nas últimas semanas foram apenas isso, oscilações estatísticas.

Para Márcia, existe um patamar abaixo do qual Russomanno dificilmente cairia, que é de 28%. Se isso se confirmar, o candidato do PRB estará no segundo turno, pois nenhum de seus adversários chega perto desse número. Em resumo, só um fato novo e de grande repercussão tiraria Russomanno do turno final da eleição paulistana. A questão que resta é: contra quem Russomanno deve fazer esse confronto? José Serra (PSDB) ou Fernando Haddad (PT)? Gabriel Chalita (PMDB) ainda tem chance?

“Há uma disputa acirrada entre Serra e Haddad pela segunda vaga”, diz Márcia. Haddad manteve sua tendência de lento crescimento, concentrada principalmente nas áreas mais centrais e entre os eleitores de renda e escolaridade mais alta. Até agora, afirma a diretora do Ibope, a tendência de crescimento de Haddad não chegou às extremas periferias da cidade, onde o PT costuma ter uma votação mais alta.

Essas regiões seguem sob domínio de Russomanno, apesar das várias tentativas da campanha de Haddad de desalojá-lo desses redutos teoricamente petistas. Até agora, o candidato do PT teve mais sucesso em conquistar eleitores de classe média do que eleitores pobres.

Nos próximos dez dias a batalha principal pela segunda vaga no segundo turno deve se dar justamente nas áreas periféricas do Sul e Leste de São Paulo. É nessas regiões, segundo Márcia, que as taxas de eleitores indecisos é mais alta. É um eleitorado de menor renda e menor escolaridade, que tende a escolher seu candidato mais tarde.

Para não se tornar o primeiro petista fora de um segundo turno paulistano, Haddad precisa avançar também nesse eleitorado periférico. Sem ele, Haddad corre grande risco, embora esteja em empate técnico com Serra. É que, na hora de teclar seu voto na urna eletrônica, eleitores antipetistas que hoje declaram voto em Russomanno podem aproveitar a oportunidade de deixar o PT fora do segundo turno e acabar votando em Serra.

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