“Gente” faz a diferença entre os discursos de Lula e dos presidenciáveis

Jose Roberto de Toledo

15 de março de 2010 | 16h03

Veja a “cara” de um discurso feito por Lula no começo do mês, em Cubatão (SP), transformado em infográfico com a ajuda do Wordle. O peso e tamanho das palavras é proporcional ao número de vezes que elas aparecem no discurso:

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Agora veja como fica o discurso de José Serra (PSDB) durante inauguração da ciclovia do rio Pinheiros, em São Paulo, feito pouco dias antes:

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A seguir, o jeitão do discurso de Dilma Rousseff (PT), durante o lançamento de sua candidatura no 4º Congresso do PT, em fevereiro:

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Parte das diferenças entre os discursos se explica pelo contexto em que foram feitos. Na inauguração de uma refinaria, era natural que Lula disse muitas vezes “petróleo” e “Petrobras”. O mesmo vale para “ciclovia” e “aqui” no discurso de Serra. Dirigindo-se à militância partidária, é esparado que Dilma repetisse expressões como “vamos” e “todos”.

A grande diferença do discurso de Lula em relação aos de Serra e Dilma é a preponderância da palavra “gente”. Dependendo de quem analisa, a causa varia: pode ser cacoete de linguagem, populismo ou domínio da melhor maneira de criar identificação com o eleitor. Fato é que “gente” é uma presença constante na fala de Lula, como se pode ver em quatro outros discursos recentes, em lugares tão distintos quanto Juazeiro e a Rocinha (clique nas imagens para ampliá-las):

A fórmula do discurso do presidente parece ser: 1) falar da “gente”, 2) fazer referência ao local, 3) citar nominalmente algum dos presentes, para criar intimidade.

Para citar um desafeto seu, “a política é a arte da repetição”, já disse Fernando Henrique Cardoso repetidas vezes. Como todo bom político de palanque, Lula domina essa técnica e, mudando a roupagem, vende sempre a mesma mensagem, com eficiência.

É algo que Dilma, uma militante sem experiência eleitoral, está tentando aprender. Já evoluiu, mas ainda está longe do estilo do chefe. Há três anos, no discurso de lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o que mais sobrava nos discursos da ministra eram “milhões” e “bilhões”. Hoje, sua fala está mais humanizada:

Serra, embora experiente em palanques, com muitas campanhas para prefeito, governador, presidente, senador e deputado na bagagem, tende a fazer um discurso mais institucional do que Lula. É parte do seu estilo. Como nas suas falas durante o centenário de Tancredo, em Minas,

ou durante o lançamento de um programa de seu governo no interior de São Paulo:

Para ver todos os exemplos dos discursos de Lula e dos presidenciáveis juntos, vá à galeria deste blog no Wordle. Tentarei mantê-la atualizada com as falas dos personagens centrais da sucessão.

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