Frankenstein é a nova fantasia da reforma política no Congresso

Jose Roberto de Toledo

03 de março de 2011 | 14h55

É Carnaval, e para entrar na folia, os congressistas fantasiaram a reforma política de Frankenstein. Querem misturar dois sistemas eleitorais aparentemente antagônicos. Metade das vagas de deputado federal seria preenchida na base do “salve-se quem puder”. No voto majoritário simples, só entram os mais votados. Não há voto de legenda e os candidatos do mesmo partido são tão adversários quanto os de outras agremiações. É cada um por si.

Esse tipo de votação, adotada em democracias avançadas como o Afeganistão, tende a lotar o Congresso de celebridades: campeões do esporte, famosos da TV, palhaços. Gente com pouca prática política que quando chega a Brasília é facilmente manobrada pelos veteranos da Câmara.

Mas não tem problema, porque a outra metade das vagas seria preenchida apenas por profissionais. Em vez de o eleitor votar em um candidato, ele daria seu voto para uma lista. Entram apenas os que estão no topo da lista. Como quem faz a ordem da lista são os burocratas partidários, não é difícil imaginar quem ficaria nos primeiros lugares.

Por isso essa reforma eleitoral já tem apelido. É a reforma Tiririca: pior que está fica.

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