Ibope: favoritismo de Dilma é o maior desde julho

Jose Roberto de Toledo

30 de setembro de 2014 | 20h07

A cinco dias do primeiro turno, Dilma Rousseff (PT) nunca foi tão favorita na corrida eleitoral – pelo menos aos olhos do eleitor. Segundo o Ibope, subiu de 52% para 58% a proporção de brasileiros que acham que a presidente será reeleita. Essa é a maior taxa desde que o instituto começou a fazer essa pergunta, em meados de julho. Ainda mais significativo: o favoritismo de Dilma cresceu mais entre os eleitores dos adversários.

Entre quem vota em Aécio Neves (PSDB), subiu para 36% os que acham que a petista será a vencedora – depois de esse percentual ficar estável em torno de 28% desde o fim de agosto. Já entre os eleitores de Marina Silva (PSB), a taxa de favoritismo de Dilma cresceu de 24% para 31% em apenas uma semana. Entre os eleitores que votam na presidente, a taxa oscilou de 91% para 92%.

A contrapartida do aumento do favoritismo de Dilma foi que Marina se tornou menos viável aos olhos do total do eleitorado. Há uma semana, 26% achavam que a candidata do PSB seria a próxima presidente. Hoje, só 20%. Aécio nunca chegou a empolgar: continua sendo favorito apenas para 10% do eleitorado total.

A diminuição da esperança de eleger seu candidato costuma ter impacto na decisão de voto do eleitor. Isso ajuda a explicar a curva declinante das intenções de voto em Marina. Ao perder seu favoritismo, a candidata do PSB perdeu o voto útil daqueles eleitores que viam nela uma chance maior de derrotar Dilma.

Como Aécio tampouco é visto como uma opção viável, nem mesmo pela maioria do eleitorado oposicionista, ele tem dificuldade para cooptar quem abandona a canoa de Marina. Uma parte foi para Dilma e outra parte voltou para o time dos indecisos. É possível que esse eleitor que se desiludiu com as chances de Marina e está sem candidato acabe migrando para o tucano na última hora.

Por isso, não é improvável que Aécio cresça no final e chegue ao dia da votação disputando a vaga no segundo turno com Marina. Se nada alterar as tendências verificadas até agora – o que não é pouco em uma eleição como essa -, uma projeção das curvas de votos de Aécio e Marina feita pelo Ibope indica que elas devem se encontrar na madrugada de 5 de outubro, o dia da eleição.

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