Empate tende a agravar campanha negativa

Jose Roberto de Toledo

23 de setembro de 2014 | 18h04

Com Dilma Rousseff (PT) empatando com ela em 41% na simulação de segundo turno e com a sua taxa no primeiro turno indo abaixo de 30%, a única boa notícia para Marina Silva (PSB) na mais recente pesquisa Ibope é que Aécio Neves (PSDB) parou de crescer. A distância que ainda a separa do tucano é confortável para Marina ir ao segundo turno, mas não é garantia de vitória contra Dilma.

De todos os números divulgados pelo Ibope, o mais preocupante para Marina é a aparente tendência de queda da candidata do PSB na simulação de segundo turno. Ela chegou a 46% no mano a mano contra Dilma no começo de setembro. Oscilou para 43% na semana seguinte, ficou nesse patamar na semana passada, e foi agora para 41%. Entre o começo e o fim do mês ela caiu 5 pontos.

Com números diferentes, a tendência foi igual na intenção de voto de Marina no primeiro turno: foi de 33% em 2 de setembro para 31%, 30 % e, agora, para 29%.

Se serve de consolo para o PSB, Dilma só se apropriou de 2 dos 5 pontos que Marina perdeu na simulação de segundo turno – um sinal de que o teto eleitoral da presidente continua baixo. Dilma tem 31% de rejeição (ela chegou a ter 38% em junho). A de Marina subiu de 10% para 17% desde o fim de agosto.

Na simulação de segundo turno, aumentaram os que pretendem votar em branco ou anular, de 8% para 12%, entre o começo e o fim de setembro. Em outras palavras, a maioria dos eleitores que votariam em Marina no segundo turno e mudaram de ideia não foi para Dilma, mas está agora sem candidato.

A taxa de branco e nulo não costuma chegar a dois dígitos no segundo turno presidencial. Foi de 9% em 2010, e de 8% em 2006. Portanto, é provável que parte dos que estão sem candidato agora acabem optando por um dos dois nomes que forem ao segundo turno. E esse escolha, como sempre, será na base do “menos pior”.

Logo, se Dilma e Marina passarem ao turno final, nem uma nem outra precisará necessariamente mostrar que é “boa” candidata, apenas que não é tão “ruim” quanto a adversária. É o cenário ideal para uma campanha agressiva e negativa. Ou seja, a confusão está só começando.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.