Em pesquisas, passado não serve para prever o futuro

Jose Roberto de Toledo

16 de março de 2010 | 17h40

São cinco eleições presidenciais polarizadas entre PSDB e PT, entre PT e PSDB. Mas a análise de cada uma delas mostra que a história nunca se repete de forma idêntica. Olhar para um momento da campanha eleitoral e, a partir dele, tentar fazer previsões para o futuro é um exercício tão científico quanto a quiromancia. Em eleições e, portanto, em pesquisas eleitorais, o passado não é espelho do futuro.

O gráfico abaixo mostra o percentual de intenção de voto dos candidatos a presidente tucano (azul) e petista (vermelho) nas eleições de 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, sempre nos meses de março e maio, segundo o Datafolha.

O percentual de Dilma Rousseff (PT) em 2010 é muito semelhante aos do candidato do seu partido, na mesma fase da campanha, em 1994 e em 2002. Em ambas as eleições, Luiz Inácio Lula da Silva chegou a um patamar próximo de 30% em março e cresceu para mais de 40% dois meses depois. Mas com desfechos opostos: uma ele perdeu, a outra ele ganhou. Um petista poderia olhar para o passado e dizer que Dilma vai repetir o Lula vitorioso de 2002. Um tucano diria que ela fará como Lula em 1994: subir antes da hora para cair na reta final.

Já o percentual de José Serra (PSDB) é maior do que o da maioria dos presidenciáveis tucanos nessa época da eleição em anos anteriores. Só perde para o de Fernando Henrique Cardoso em 1998. Um petista olharia o gráfico e poderia arriscar que, assim como em 2002, o tucano tende a continuar caindo até ser ultrapassado por Dilma. Já um militante do PSDB enxergaria uma repetição de 1998, quando FHC saiu de um patamar alto, teve uma inflexão no meio do ano, mas terminou eleito no 1º turno.

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Como dizem os estatísticos, “os números, bem torturados, revelam qualquer coisa”. Especialmente quando se trata de fazer projeções. O gráfico mostra apenas que:

1) o candidato do PT costuma sair de um patamar de pelo menos 25% ou 30%, por ser o partido com mais simpatizantes no país;

2) diferentemente do adversário petista, a velocidade inicial do candidato tucano depende do seu grau de conhecimento pelo eleitorado, como se pode ver pelos percentuais de FHC antes e depois de ser presidente (e como se vê pelos percentuais de Serra e Aécio Neves nesta eleição);

3) maio costuma ser um mês bom para os candidatos do PT, mas isso estava associado a uma piora da aprovação dos governos tucanos nessa época do ano; não há garantia de que a “regra” valerá para 2010, especialmente com Dilma fora do governo e ainda sem palanques eletrônico e físico;

4) os percentuais de intenção de voto são voláteis: nem sempre quem estava na frente nesta época do ano acabou eleito, tampouco todos os que cresceram no primeiro semestre sustentaram essa tendência na reta final da campanha.

Não sou candidato, mas prometo: farei uma previsão definitiva sobre o resultado da eleição assim que os votos tiverem sido contados.