Eleições de 2012 movimentaram R$ 5,1 bilhões

Jose Roberto de Toledo

28 de novembro de 2012 | 03h15

Nas eleições municipais deste ano, pelo menos R$ 5,1 bilhões circularam pelos cofres das campanhas em doações eleitorais. Deste valor, 30% são financiamentos ocultos. Eles caíram diretamente nas contas de comitês eleitorais e partidos, o que impede o eleitor de saber quem foi o candidato beneficiado pelo recurso fornecido por um doador específico. Os 70% restantes foram repassados para os candidatos, sendo R$ 1,8 bilhão para os postulantes a prefeito e R$ 1,7 bilhão para os que disputaram uma vaga de vereador.

Os caixas eleitorais foram engordados por mais de 900 mil doadores. Apenas uma ínfima parcela de 350, contudo, foi responsável pelas doações milionárias. Considerando-se apenas empresas e pessoas físicas e deixando de lado os repasses de partidos e comitês, o clube do milhão dos doadores encolhe para 150 membros, especialmente construtoras.

Os números foram obtidos a partir dos dados brutos da prestação de contas das eleições de 2012, publicados nesta terça-feira (27) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não estão incluídas as despesas totais dos 100 candidatos que foram para o segundo turno. Eles entregaram ontem suas contas de campanha, vinte dias depois dos demais candidatos, e os dados ainda não estão disponíveis.

Assim, campanhas caras e que arrecadaram altas somas, como as do prefeito eleito em São Paulo, Fernando Haddad (PT), e do seu concorrente José Serra (PSDB), estão parcialmente fora da conta do TSE, desinflando a conta do total de receitas. Quando forem incluídas as doações para os candidatos que foram para o segundo turno, a conta do total movimentado na campanha vai aumentar ainda mais.

Considerando-se apenas os candidatos eleitos em primeiro turno, quem mais arrecadou foi Márcio Lacerda (PSB), prefeito reeleito em Belo Horizonte. Ele obteve R$ 215 milhões. Eduardo Paes (PMDB), reeleito no Rio de Janeiro, aparece logo em seguida, com arrecadação de R$ 212. Fatiando o total de doações por partido, o PMDB é o que conseguiu a maior cifra, com R$ 870 milhões recebidos em todos os níveis – candidatos, comitês e diretórios. PT atingiu R$ 704, PSDB R$ 601 e PSB R$ 407.

As empresas foram as maiores financiadoras das eleições. Do total de dinheiro que entrou nas campanhas, 27% veio de pessoas jurídicas. Outros 23% tiveram origem em pessoas físicas. Os candidatos também declararam ao TSE uma elevada quantia de recursos próprios, que chega a 18% do total. Outros 30% são recursos de partidos políticos ou de outros candidatos e comitês.

A arrecadação pela Internet, uma modalidade de financiamento adotada há menos tempo, só fez cócegas nas contas de campanha. No total, chegaram pela rede R$ 544 mil, vindos de somente 779 doadores. O maior beneficiado por esse tipo de doação foi Marcelo Freixo, candidato derrotado do PSOL à prefeitura do Rio de Janeiro. O baixo fluxo pela Internet destoa do valor arrecadado pelos EUA pela Internet. Obama e os democratas obtiveram US$ 295 milhões online, com cerca de 4 milhões de doadores, entre agosto e setembro deste ano.

Já as despesas de campanha ficaram bem próximas do total de doações: R$ 5,2 bilhões. Pagamentos feitos por candidatos a fornecedores representam cerca de 70% do total dos gastos. Comitês e diretórios partidários gastaram o restante, mas não é possível saber quais candidatos foram beneficiados pelo uso do dinheiro.

* Amanda Rossi, José Roberto de Toledo, Daniel Bramatti e Diego Rabatone

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