Distribuição do tempo de propaganda acirra bipolarização (comentário para RedeTV News)

Jose Roberto de Toledo

13 de agosto de 2010 | 10h40

Dilma Rousseff (PT) tem 46% mais tempo de propaganda do que José Serra (PSDB) no rádio e na TV. Mas o tucano ainda terá 7 minutos e 18 segundos por bloco do horário eleitoral compulsório (que, diga-se, não é gratuito para ninguém, já que custa R$ 851 milhões em renúncia fiscal à União). É muito tempo. Além disso ele terá de 3 a 4 comerciais por dia ao longo da programação.

Com 10 minutos e 39 segundos por bloco e 5 inserções de 30 segundos diárias, Dilma tem um canhão propagandístico. Mas Serra tem armamento suficiente para sustentar o fogo adversário.

Problema mesmo terão Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). Eles têm muito menos tempo que os rivais, pouco mais de 1 minuto cada um nos blocos da hora do almoço e da noite na TV. Pior: Marina veiculará uma inserção de 30 segundos dois dias sim, um não. E Plínio, dia sim, dia não. Os comerciais têm um poder maior de penetração do que os blocos de propaganda do horário nobre, porque não dá tempo de desligar o rádio e a TV.

Como se não bastassem essas desvantagens, os dois deram azar no sorteio da ordem de veiculação de suas propagandas. Marina e Plínio ficarão cercados de nanicos por todos os lados, cujos tempos de propaganda não são muito menores (55 segundos cada) do que os deles. Vão ter que contar muito com o talento de seus marqueteiros e/ou com sua própria capacidade de expressão para não acabarem escondidos pela vizinhança.

Em última análise, a propaganda de TV e rádio, maior esperança dos outros sete presidenciáveis de reduzir a bipolarização da corrida presidencial, pode ter o efeito inverso, seja pela desproporção de tempo da dupla Dilma/Serra em relação aos demais, seja pela ordem de veiculação dos programas.

Consultor de Marina, o cineasta Fernando Meirelles nunca teve um desafio tão grande ao seu talento.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.