Diretores de institutos de pesquisa vêem Dilma favorita

Jose Roberto de Toledo

23 de março de 2010 | 03h30

Diretores dos principais institutos que fazem pesquisa eleitoral debateram o pleito de 2010 durante congresso da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep), nesta segunda, em São Paulo. Apesar de dizerem e repetirem que as pesquisas de intenção de voto não servem para prever o resultado da eleição, a maioria demonstrou, em seus comentários, que encara Dilma Rousseff (PT) como a favorita, a despeito de ela estar atrás de José Serra (PSDB) em todos os institutos.

Entre os mais comedidos, o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, deu uma pista que pode explicar essa aparente contradição. Citando dados da pesquisa de fevereiro do Datafolha, Paulino destacou que 14% dos eleitores querem votar no candidato de Lula, mas não sabem que ele é Dilma, o que mostra um alto potencial de crescimento da petista. Mas ressalvou: “pesquisa é diagnóstico, não serve para fazer prognóstico”.

Marcia Cavallari, diretora do Ibope, explicou que o eleitor se sente muito confortável com o voto que deu a Lula, pois acha que o país está tendo avanços e que eles foram mais profundos no seu governo. Para ela, “a comparação do governo Lula com o governo Fernando Henrique é prejudicial para Serra”. Mas fez uma ressalva: “o comportamento do eleitor não é matemático”.

Ricardo Guedes, do Sensus, foi mais direto: “Dilma tem produto para mostrar, a economia. Serra não”. Para ele, a tendência hoje é pró-Dilma.

Representante do Vox Populi, João Francisco Neto analisou os componentes que influenciam o voto: 1) carisma (“não é o nome desta eleição, porque nenhum dos candidatos têm”), 2) bolso do eleitor (pró-Dilma), 3) tempo de TV (Dilma deve ter 50% a mais do que Serra), 4) ideologia (os candidatos são muito semelhantes). E foi, dos quatro, o que mais se aproximou a arriscar um palpite: “Se não houver um acidente, não é impossível Dilma ganhar no 1º turno”.

O professor Marcus Figueiredo, do IUPERJ, também participou do debate e foi na linha do diretor do Vox Populi: “Não é uma eleição em que carisma e simpatia vão pesar; não há diferença ideológica entre os candidatos; a vantagem da Dilma é porque o avalista dela é o Lula. Se o Ciro (Gomes) desistir, define no 1º turno”.

Lendo apenas o resumo das opiniões, parece que a eleição está decidida. Não é o caso. O ambiente descontraído, onde quase só havia pesquisadores, fez os participantes se soltarem mais do que o fariam, por exemplo, em uma entrevista coletiva. O que eles expressaram, com exceção de Figueiredo, não foi uma previsão, nem mesmo uma aposta. Foi um análise do pano de fundo em que se dá a sucessão de Lula: um governo com 75% de avaliação positiva, economia crescendo e sem diferenças ideológicas ou carismáticas profundas entre os candidatos.

Durante o próprio debate foram levantados vários casos de pleitos em que as pesquisas apontaram o favoritismo de um candidato durante quase toda a campanha, mas, na reta final, às vezes no próprio dia da eleição, um câmbio de última hora desaguou em um resultado diferente nas urnas. Por isso, vale repetir o mantra dos próprios pesquisadores: pesquisa é diagnóstico, não é prognóstico. Nem sempre o favorito ganha.