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Dilma em alta no Vox Populi: recall ou voto firme?

Jose Roberto de Toledo

16 Maio 2010 | 14h31

Qual o significado da ascensão de Dilma Rousseff (PT) no Vox Populi após as inserções do seu partido no rádio e na TV? Que ela está no caminho inapelável da vitória? Ou apenas que ela tornou-se mais conhecida pela propaganda e que seu nome passou a surgir com mais frequência na boca dos eleitores que viram os spots de 30 segundos do PT em que ela era o único destaque? Nem tanto ao mar nem tanto à terra.

Enquanto apenas pouco mais de um terço (36%) citarem espontaneamente o nome de um presidenciável, é prematuro usar os fotogramas atuais e passados para projetar o resto do filme. A maioria dos eleitores ainda não parou para pensar em quem vai votar em outubro, está provavelmente mais preocupada com seus problemas diários e, a partir de junho, com a seleção de Dunga.

Em situações assim, muitos entrevistados, para se livrar do pesquisador que está impondo um problema sobre o qual não haviam refletido, respondem o primeiro nome que lhes vêm à cabeça. E aí funcionam mais os mecanismos da memória do que do raciocínio. É o chamado recall: a citação do nome que está mais fresco na mente, ou ao qual o eleitor foi mais exposto.

Assim como José Serra (PSDB) está bem colocado nas pesquisas de intenção de voto porque já disputou muitas eleições e aparece com frequência na TV e no rádio, Dilma está se beneficiando da exposição de seu nome nos meios de comunicação de massa. Mas claro que isso não aconteceria se não houvesse algum conceito que o eleitor considere positivo associado ao nome da petista. No seu caso, a associação é com o presidente Lula e sua alta aprovação.

Há, porém, uma parcela do eleitorado que é mais engajada e interessada na disputa de poder. Esses eleitores têm, na grande maioria, preferência partidária ou se mobilizam contra um nome, um partido ou uma ideologia. Foram os primeiros a declarar espontaneamente voto nos presidenciáveis. Mas ainda são minoria: são 2 pontos dos 9% de Marina, 15 pontos dos 35% de Serra e 19 pontos dos 38% de Dilma, segundo o Vox Populi.

Oficialmente, estamos na pré-campanha, embora os presidenciáveis há meses estejam voando para cá e para lá cabalando votos. É uma fase de aquecimento, de aproveitar todas as possibilidades de exposição do nome do pré-candidato, de montar palanques eleitorais nos estados, de fazer alianças para ampliar seu tempo de propaganda na TV, de alistar cabos-eleitorias e de preparar o caixa que vai sustentar a campanha.

Traduzidos como as chances de vitória do pré-candidato, bons resultados nas pesquisas de intenção de voto a esta altura implicam mais aliados, mais minutos na TV, mais cabos-eleitorais e mais dinheiro. Sob esse aspecto, a ascensão de Dilma no Vox Populi deve ajudar o PT. Mas apenas a evolução dos resultados e sua comparação com os dos outros institutos poderão confirmar se essa oscilação da petista é ou não uma tendência de voto firme.

E, mesmo que seja, não pode ser vista como imutável. Há uma campanha no meio do caminho dos presidenciáveis, com debates, entrevistas e, eventualmente, dedo-no-olho e puxão de cabelo de parte a parte. O caminho até a urna é acidentado e cheio de curvas. Dizer, desde já, que fulano ou beltrana está com sua passagem até o Palácio do Planalto assegurada é apenas propaganda.

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