Dilma e Obama adotam estilos opostos no relacionamento com o Congresso; qual está certo?

Jose Roberto de Toledo

01 de agosto de 2011 | 23h27

Mal comparando Dilma Rousseff e Barack Obama, eles adotaram táticas opostas no relacionamento com o Congresso. A brasileira peitou parte da base aliada ao promover uma faxina no Ministério dos Transportes pilotado pelo PR. O norte-americano sucumbiu à chantagem dos republicanos no debate sobre o limite de endividamento do governo norte-americano. Quem vai se dar melhor no médio prazo?

Vale Ortega y Gasset: o “homem é o homem e sua circunstância”. Às vezes o governante não pode fazer tudo o que quer -por falta de apoio, por risco de desgaste ou por incapacidade. Às vezes, deixa de fazer por excesso de cautela, por medo de se enfraquecer ou porque não quer gastar seu cacife com aquilo.

Dilma começou o mandato cedendo aos aliados: na nomeação para cargos públicos, na liberação de verbas para emendas parlamentares, em votações simbólicas como o kit anti-homofobia. Mas a troca da cúpula palaciana marcou uma mudança de comportamento também. Após a saída de Antonio Palocci e a chegada de Gleisi Hoffmann à Casa Civil, Dilma alternou assopros e mordidas nos partidos aliados.

A nova tática coincidiu com o recesso parlamentar, não por acaso. A presidente não precisou aprovar nada polêmico nem teve que contornar tentativas de instalação de CPIs. Não deu chance, assim, para vingança dos aliados expelidos do Ministério dos Transportes e de suas autarquias. Mas o segundo semestre legislativo está só começando e o teste real da nova estratégia ainda está por vir.

Como lembrou o Nobel de Economia Paul Krugman em artigo no “New York Times”, Obama desistiu de impedir a renovação dos cortes de impostos da Era Bush, cedeu quando os republicanos ameaçaram fechar o governo há alguns meses num impasse orçamentário e agora, de novo, recuou no teto da dívida.

Pode ser que ele não tivesse alternativa. Ou pode ser um estilo. O problema é que Obama precisa começar logo a recuperar a economia e, por tabela, a popularidade perdida. Isso se quiser repetir Bill Clinton e não Jimmy Carter. O acordo que fechou no Congresso é recessivo. Tiro no pé?

Dilma, ao menos, terá prazo mais dilatado para testar sua tática.

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