“Dilmarina” e as mulheres

“Dilmarina” e as mulheres

Jose Roberto de Toledo

20 de maio de 2010 | 15h54

Nunca tantos eleitores declararam pretender votar em mulheres para presidente do Brasil. Segundo a última pesquisa Vox Populi, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) têm, juntas, 46% das intenções de voto. Se fossem uma candidata só e a eleição fosse hoje, “Dilmarina” seria eleita no 1º turno. A evolução é histórica: mulher mais bem votada na história das eleições presidenciais brasileiras, Heloísa Helena (PSOL) recebeu apenas 6,8% dos votos válidos, no pleito de 2006.

E como votam as mulheres?

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Historicamente, a evolução do voto feminino tem algumas peculiaridades ao longo das campanhas eleitorais: as eleitoras demoram mais para se definirem por um candidato, tendem a escolher quem represente mais segurança para sua família e prestam mais atenção aos gestos e à aparência dos postulantes. Mas, apesar de flutuações, na reta final o voto feminino e masculino tende a se equiparar. Há, todavia, exceções.

O PT e Luiz Inácio Lula da Silva que o digam. No começo do 2º turno de 2006, o então candidato à reeleição tinha 6 pontos porcentuais a menos entre as mulheres. Embora tenha crescido entre homens e mulheres durante o turno final, Lula chegou na véspera da eleição, segundo o Datafolha, com os mesmos 6 pontos a menos no eleitorado feminino, mostrando que a resistência de parte das eleitoras a ele é persistente.

E como as mulheres se comportam na atual disputa eleitoral? Ao que tudo indica, Dilma herdou de Lula a mesma dificuldade extra para convencer o eleitorado feminino. A petista vem crescendo em todos os segmentos, mas não tem conseguido superar a defasagem entre as mulheres. Desde janeiro, a petista tem obtido entre 8 e 10 pontos porcentuais a menos no eleitorado feminino, segundo o Vox Populi.

Essa dificuldade de Dilma entre as eleitoras tem duas explicações complementares. De um lado, reflete a resistência de parte do eleitorado feminino a candidatos petistas. Mas não só.  De outra parte, é maior o desconhecimento de Dilma entre as mulheres. As eleitoras não apenas conhecem menos a ex-ministra como ligam menos seu nome ao de Lula.

Se essa hipótese estiver correta, é de se esperar que à medida que a propaganda eleitoral conectar a candidata do PT ao presidente, mais eleitoras passem a declarar voto em Dilma. Mas, mesmo que isso ocorra, dificilmente ela conseguirá um percentual de voto tão alto entre as mulheres quanto o que obtém entre os homens. É o oposto do que ocorre com Marina Silva. José Serra (PSDB), como se vê no gráfico, tem percentuais equivalentes entre os eleitores de ambos os sexos.

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