Datafolha ratifica alta de Dilma e acende luz amarela para Serra
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Datafolha ratifica alta de Dilma e acende luz amarela para Serra

Jose Roberto de Toledo

22 Maio 2010 | 13h14

Ao ratificar o empate de Dilma Rousseff (PT) com José Serra (PSDB), a pesquisa Datafolha confirma que a propaganda petista no rádio e na TV foi eficiente para associar sua pré-candidata a Lula. Mas as repercussões vão além disso.

As inserções de 30 segundos e o programa de 10 minutos do PT conseguiram projetar uma imagem aceitável de Dilma para mais eleitores, ampliando seu eleitorado potencial. Fizeram sua taxa de rejeição cair de 24% para 20%. E elevaram seu percentual na simulação de 2º turno para 46%, empatando tecnicamente com Serra.

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A consolidação do eleitorado de Dilma está ocorrendo mais rapidamente do que a do seu principal rival. Ela subiu de 13% para 19% entre abril e maio, chegando à liderança isolada no voto espontâneo. Hoje, metade da intenção de voto total na petista está na ponta da língua do eleitor, não é apenas “efeito memória”.

Ao confirmar que Serra perdeu eleitores para Dilma, o Datafolha faz acender uma luz amarela na campanha tucana. A estratégia de assoprar por cima e morder por baixo parece ter efeito limitado. Elogiar Lula e criticar pontos específicos do governo pode não ser suficiente para sustentar a candidatura de Serra.

Após a propaganda da adversária, ele viu sua rejeição aumentar e, pela primeira vez, ficou numericamente atrás de Dilma na simulação de 2º turno (46% a 45%, segundo o Datafolha).

A soma desses resultados pode fazer parecer que Serra não tem chances na corrida eleitoral. É um erro. Vistos em perspectiva, os números não surpreendem.

Em todas as eleições presidenciais desde 1989 o candidato do PT cresceu entre março e maio. E, com exceção de FHC em 1994, nas outras três o candidato tucano caiu nesse período, como Serra agora. Isso não significou muito naqueles pleitos, já que o PSDB venceu duas das quatro eleições, e pode não significar muito agora.

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Mas as pesquisas criam fatos políticos e influenciam as campanhas: aumentam ou diminuem a moral dos militantes, o volume de contribuições financeiras, e a pressão dos aliados. Não basta aos candidatos e assessores acreditar que se têm chances, é preciso manter a aparência de favorito ou pelo menos de viável.

A persistir a curva espelhada da intenção de voto, o que um ganhar será às custas do que o outro perder. Em uma situação assim, a campanha de Serra ficará tentada a investir na desconstrução da imagem de Dilma para impedir que ela abra vantagem.

Ainda não deve ser esse o enfoque das propagadas pró-Serra a serem veiculadas nas próximas semanas, dentro dos horários do DEM e PSDB no rádio e na TV. A campanha ainda não começou oficialmente, o que limita as possibilidades de ataque.

As sondagens de intenção de voto imediatamente posteriores às inserções com propaganda de Serra serão o melhor indicador dos limites e potenciais da atual estratégia do tucano. Se ele não reverter a queda nas pesquisas, aumentará a pressão por um “plano B”.