Datafolha projeta decisão apertada e no último momento

Jose Roberto de Toledo

15 de outubro de 2014 | 19h04

A estabilidade das intenções de voto em Aécio Neves (PSB) e Dilma Rousseff (PT) confirma a maior divisão do eleitorado na história das eleições presidenciais no Brasil. Mostra ainda que o apoio formal de Marina Silva (PSB) ao tucano foi irrelevante e que a eleição só deverá ser decidida no próprio dia 26.

Como já ocorrera em 2010, o eleitorado de Marina foi mais rápido do que a candidata do PSB para escolher seu lado, ou ao menos para declará-lo. Logo, a opção pública de Marina por Aécio foi mais consequência do que causa do crescimento do tucano.

Na verdade, o potencial de transferência de votos de Marina é baixo: só 20%, segundo o Datafolha, votariam em um candidato apoiado por ela, contra 23% que não votariam, pelo mesmo motivo. Para a maioria absoluta, 53%, a posição de Marina é irrelevante. São números parecidos com os de Fernando Henrique Cardoso, e muito menores do que os de Luiz Inácio Lula da Silva.

Além de reafirmar o empate técnico entre Aécio e Dilma, o Datafolha mostrou uma convergência das taxas de rejeição aos dois presidenciáveis. A do tucano subiu, de 34% para 38%, e chegou assim ao limite de um empate técnico com a da petista, que oscilou de 43% para 42%. Já as taxas dos que dizem que votariam com certeza em um ou em outro empatam em 42%.

Tudo isso soma-se ao fato de 15% dos eleitores terem dito ao Datafolha que escolheram seu candidato no primeiro turno entre o sábado e o domingo de votação. Se não houver nenhum evento que mude os rumos da campanha e faça-a pender para um lado, a decisão será por margem muito apertada e na última hora, depois até de as pesquisas de véspera irem a campo. É um cenário de pesadelo para os candidatos – e para os institutos.

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