Datafolha em SP: bom para 2º e 3º colocados, ruim para o 1º

Jose Roberto de Toledo

09 de setembro de 2016 | 19h59

A pesquisa Datafolha sobre eleição municipal em São Paulo é uma boa notícia para João Doria (PSDB), que conseguiu usar seu maior tempo de propaganda para crescer e se isolar no terceiro lugar, e um mau sinal para o líder Celso Russomanno (PRB). A queda de 31% para 26% vai reforçar a fama de “cavalo paraguaio” do candidato que saiu na frente em 2012 e 2014 e chegou atrás.

O crescimento de cinco pontos de Marta Suplicy (PMDB) foi ótimo para a ex-prefeita e ruim para o atual prefeito, Fernando Haddad (PT), que foi de 8% para 9%. Na briga pelo eleitorado da periferia, a ex-petista está abrindo vantagem sobre o antigo colega de partido junto a um eleitor que foi responsável pelas vitórias do PT em São Paulo em 1988, 2000 e 2012. Outra ex-prefeita petista, Luiza Erundina (PSOL) caiu de 10% para 7%.

À medida que mais paulistanos vão tomando conhecimento de quem são os candidatos, vai se redesenhando a tradicional polarização centro-periferia que marcou todas as eleições paulistanas nos últimos 30 anos. A diferença é que – ao contrário de todas as outras vezes -, o voto periférico, do eleitor mais pobre, está indo não para um petista, mas para uma ex-petista: Marta.

Por enquanto, Russomanno ainda lidera e – provavelmente – também nesse segmento. Mas se repetir sua trajetória de 2012 e 2014, ele corre o risco de perder a vaga no segundo turno na última hora novamente, justamente porque esse eleitor ex-petista que hoje declara voto nele pode migrar para a candidata do PMDB à medida que a campanha avança e ela ganha exposição.

A maior esperança de Russomanno é o crescimento de Marta esbarrar em sua rejeição (29% pelo Datafolha) – maior do que a do candidato do PRB (21%). Ou ela cometer alguma frase infeliz em um debate ou entrevista.

Do outro lado da cidade, Doria mostrou que está conseguindo capturar o eleitor antipetista da região central. As próximas pesquisas serão importantes para mostrar com que velocidade o tucano está conseguindo fazer isso. A seu favor há o fato de ser o único dos principais candidatos que pode se vender como novidade – por nunca ter participado de outra eleição.

Esse papel foi de Haddad em 2012. Ele demorou para emplacar naquela campanha, e está demorando para emplacar agora. A diferença é que, em 2012, ele era desconhecido pelo eleitor. Em 2016, o problema é mais difícil: sua rejeição (46%), a maior entre os favoritos. Ao contrário das outras campanhas petistas, Haddad vai melhor no centro do que na periferia. “Parece prefeito de Amsterdã”, já se ouviu sobre ele em Parelheiros – em referência à única marca de sua gestão, as ciclovias.

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