Datafolha: Dilma e Lula recuperam pontos; PT nem tanto

Jose Roberto de Toledo

12 de agosto de 2013 | 16h20

Depois de estancar a perda, Dilma Rousseff recuperou parte da popularidade perdida. Lula também. Mas o PT nem tanto. A pesquisa Datafolha encerrada na sexta-feira mostra que a preferência pelo partido oscilou de 19% para 21% – um patamar tão baixo quanto na época do mensalão. O PT vai pior entre os mais jovens, os mais ricos e os mais escolarizados.

A falta de simpatizantes não é novidade para os demais partidos: o PDSB segue com 6% das preferências, e o PMDB, com 5%. As dezenas de outras siglas somadas mal chegam a 8%. Resultado: 58% dos brasileiros dizem que não gostam de nenhum partido em especial. No fim de junho, após a onda de protestos de rua, essa taxa chegou a 64%. Antes das manifestações, era de 55%.

Se considerarmos que as pesquisas feitas imediatamente após os protestos tenham sido um pico de insatisfação contra tudo e contra todos, e as tirarmos da análise, o gráfico evolutivo da preferência pelo PT ainda mostrará uma tendência de queda.
Isso reflete um fator de longo prazo, e outro, mais recente.

Há anos que o PT vem perdendo simpatizantes entre as pessoas com renda superior a 10 salários mínimos. Antes da eleição de Lula, em meados de 2001, o PT tinha a preferência de um em cada três desses eleitores mais ricos: 35%, segundo o Ibope. Hoje, segundo o Datafolha, essa preferência está em apenas 9%.

O petismo vem definhando tanto na ponta da pirâmide de renda que foi ultrapassado pelo PSDB. Os tucanos, caminhando no sentido inverso, estão cada vez mais dependente desse segmento da sociedade: há 14% de preferência pelo PSDB entre os mais ricos, segundo o Datafolha.

O fenômeno mais recente e preocupante para os petistas tem sido a perda de simpatizantes no eleitorado jovem. Entre os eleitores de 16 a 24 anos, o PT chegou a ter 32% de preferência em abril do ano passado. Caiu para 25% em dezembro. Este ano, tinha 24% antes de os protestos estourarem. Despencou para 15% após as manifestações, e chegou agora a 19%.

A troca de simpatizantes ricos por pobres está de acordo com as políticas de distribuição de renda implementadas pelos governos petistas. Mas a perda de eleitores jovens mostra que a capacidade de renovação do PT está comprometida – o que coloca em risco o futuro eleitoral da agremiação.

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