Datafolha: Dilma conta com a inércia; Aécio, com o imponderável

Jose Roberto de Toledo

22 de outubro de 2014 | 04h27

Dilma Rousseff (PT) oscilou mais um ponto e segue em alta. Segundo o Datafolha divulgado nesta madrugada de quarta, ela foi de 43% na semana passada, para 46% na segunda-feira e chegou agora a 47% dos votos totais. Aécio Neves (PSDB) ficou nos mesmos 43%, para onde caiu dos 46% alcançados no começo do segundo turno.

Nos votos válidos não houve mudança: 52% a 48% para a petista, taxas iguais às de segunda. Isso é facilmente explicável pelos arredondamentos. A fração a mais para Dilma nos votos totais não foi suficiente para ela sair dos 52% dos votos válidos – que são os votos dados só aos candidatos. Embora o resultado seja melhor para Dilma, mostra também que sua aceleração é lenta. Mantém os dois em empate técnico, embora essa possibilidade tenda a zero.

Como Aécio não perdeu mais, o ponto extra para a petista veio dos indecisos, que foram de 6% para 4%. O outro ponto migrou para brancos e nulos, que agora somam 6% (eram 5% há dois dias).

A pesquisa confirma que a disputa continua imprevisível. Por três incertezas: destino dos indecisos, aumento da abstenção e o erro do eleitor ao votar. Há indecisos suficientes para, em tese, Aécio empatar em 47% com Dilma. Mas não é só isso.

A leve vantagem da presidente nas intenções de voto pode ser anulada por um fenômeno que tem se repetido nos últimos anos. O eleitor menos escolarizado tem mais dificuldade para converter intenção em voto. Erra mais. Sinal disso é que as taxas de votos nulos são mais altas nos Estados mais pobres, justamente onde os candidatos do PT a presidente são mais bem votados desde 2006.

Por outro lado, os votos brancos e nulos costumam diminuir no segundo turno porque o eleitor tem que escolher menos candidatos na urna eletrônica. Em vez de cinco, são no máximo dois (quando há segundo turno na eleição para governador no Estado). Em 2010, os votos em branco para presidente caíram 30% do primeiro para o segundo turno, e a quantidade de votos nulos foi 23% menor.

Mas a redução do número de candidatos tem outro efeito que pode prejudicar Dilma: aumenta a abstenção em todos os Estados. Proporcionalmente mais eleitores deixaram de ir votar no segundo turno em 2010 em lugares onde Dilma foi melhor, como Amazonas, Maranhão, Rio Grande do Norte e Tocantins. Ela perdeu mais.

As variações dos votos brancos, nulos e da abstenção são potenciais causas de erros não-amostrais para as pesquisas. Não são estatisticamente calculáveis, e, por isso, não entram na conta da margem de erro. Mas podem decidir a eleição.

Essas incertezas só deixarão de ser um fator de risco para Dilma se ela continuar crescendo e alcançar uma vantagem que não apenas supere a margem de erro, como dê ao menos dois pontos de folga para a candidata à reeleição. Por isso, a pesquisa do Ibope a ser divulgada nesta quinta-feira à tarde é fundamental. Dirá se a presidente prosseguirá em tendência de alta ou não.

Embora em situação mais desconfortável, Aécio ainda pode alimentar esperanças. Deve jogar no debate de sexta à noite na TV Globo sua última cartada para tentar virar o jogo.

A presidente virou no segundo turno porque sua propaganda foi mais eficiente: melhorou a popularidade do governo e fez piorar a imagem do adversário, o bastante para tirar-lhe eleitores. Não muitos, mas o suficiente para inverter posições. Dilma conta com a inércia a seu favor, e Aécio, com o imponderável.

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