Cresce uso de carro em SP: pior para Kassab, bom para quem?

Jose Roberto de Toledo

21 de setembro de 2011 | 22h28

Deu no Ibope: paulistanos intensificam o uso de carros. Em 2010, só 13% declararam nunca usar automóvel -o ponto mais baixo de uma sequência sucessiva de quedas. Em 2007, eram 27% os sem-carro na cidade. O crescimento se intensificou nos últimos três anos, período que coincide com o aumento da venda de veículos e, para azar do prefeito Gilberto Kassab (sem partido), com o seu mandato.

Desde que o prefeito tomou posse, aumentaram tanto o uso frequente do carro em São Paulo (todo dia ou quase: de 21% para 26%) quanto o esporádico (de 23% para 36%). Não por acaso, a parcela de paulistanos que considera o trânsito um problema saltou de 35% para 43% nesse intervalo. É óbvio: mais carros nas ruas, mais congestionamentos; mais motoristas dirigindo, mais gente descontente com o trânsito parado.

Kassab deve achar que é coincidência ou má vontade da população, mas desde 2007 ele caiu de 41% de ótimo e bom em sua avaliação como prefeito para 41% de ruim e péssimo, segundo o Datafolha. Nisso que dá fomentar uma política baseada no transporte individual. Quanto mais avenidas se abrem, marginais de duplicam, rodoanéis se inauguram, mais carros vão para as ruas, só que numa proporção maior e mais frequente do que as novas pistas são capazes de suportar.

Seria injusto culpar apenas o prefeito por cavar a própria cova de popularidade. O boom de consumo de veículos foi provocado por medidas essencialmente federais: redução de impostos, aumento da renda e facilidade do crédito. O problema, para Kassab, é que o eleitor associa o ato da compra (positivo) ao governo federal, mas o fato de não conseguir usar o carro como gostaria (negativo) à prefeitura.

No limite, quanto mais carros vendidos, melhor para o presidente e pior para o prefeito. Sob esse aspecto, Kassab e os administradores de todos as metrópoles engarrafadas deveriam saudar o aumento do IPI para os carros importados. Mas não farão isso por achar que perderão votos -como se houvesse algo mais a perder.

Veja aqui a pesquisa do Ibope.