Consumidor desconfiado segura popularidade de Dilma

Jose Roberto de Toledo

30 de setembro de 2013 | 19h37

A estabilidade da confiança do consumidor, medida pelo INEC da CNI/Ibope, explica porque a popularidade da presidente Dilma Rousseff (PT) parou de crescer. Há quatro meses que o índice Nacional de Expectativa do Consumidor oscila em torno de 110. O de setembro ficou em 110,1. Em agosto, havia sido de 110,3.

Não por coincidência, desde 9 de agosto que a aprovação presidencial patina no mesmo patamar. Dilma recuperou um terço da popularidade perdida após os protestos de junho e ficou por aí. O INEC ajuda a explicar esse teto: sem aumento de confiança, o consumidor-eleitor tende a desconfiar também dos governantes.

Nenhum indicador guarda correlação mais forte com a popularidade presidencial do que a confiança do consumidor. Quando um sobe, o outro tende a subir – e vice-versa. O consumidor-eleitor considera o governante o principal responsável pelo que acontece com seu bolso. E avalia-o por isso. Tanto é assim que a economia definiu as últimas cinco eleições presidenciais no Brasil.

As oscilações da economia nos últimos meses – às vezes apontando para uma retomada do crescimento, às vezes indicando estagnação – deixam o consumidor mais cauteloso. Em setembro, ele se mostrou ligeiramente mais temeroso com o que pode acontecer com seu emprego e com a inflação – embora tenha um pouco mais de esperança de ver sua situação financeira melhorar em breve.

O INEC sinaliza que o pequeno saldo positivo de Dilma (15 pontos a mais de ótimo/bom do que de ruim/péssimo) não deve aumentar – ao menos enquanto o movimento dos indicadores econômicos continuar errático. O otimismo do eleitor-consumidor depende de um período mais longo de estabilidade com crescimento.

Tendências: