Conectado e disperso, eleitor é cada vez mais volúvel

Jose Roberto de Toledo

02 de outubro de 2016 | 16h36

O eleitor está mudando de ideia cada vez mais rapidamente e em cima da hora de votar. Essa volatilidade tem sido um transtorno para os institutos de pesquisa no mundo inteiro, com resultados das pesquisas de véspera numericamente distantes dos verificados na urna. Há poucos estudos que apontem causas definitivas para o fenômeno, mas desconfia-se que quanto mais usa redes virtuais de comunicação, mais disperso e volúvel o eleitor se torna.

As oscilações das intenções de voto nos candidatos ao longo das campanhas é outro sinal dessa volatilidade. Não raro, candidatos com forte presença na memória do público – como a personalidade de TV Celso Russomanno em São Paulo – saem na frente, mas perdem força, às vezes subitamente, assim que o eleitor encontra um candidato com quem ele tenha um ponto de identificação.

Em geral, esses movimentos ocorrem como ondas explosivas, que se propagam muito mais rapidamente do que antes da universalização de redes sociais eletrônicas como Facebook e Twitter, ou de ferramentas de troca de mensagens individuais ou em grupo, como o WhatsApp. Isso também impacta a popularidade dos governantes.

A avalanche que solapou a taxa de aprovação de Dilma Rousseff (PT) em 2013 não tem paralelo na história do Brasil. Nenhum outro presidente brasileiro perdeu tantos pontos de popularidade em tão curto período de tempo quanto a petista em meio à onda de manifestações de junho de 2013. É como se cada vez mais cidadãos estivessem conectados por uma corrente elétrica invisível que os faz terem um comportamento tão ágil quanto o de um cardume.