Com 3 meses, saldo de aprovação de Dilma supera até o de Lula

Com 3 meses, saldo de aprovação de Dilma supera até o de Lula

Jose Roberto de Toledo

22 de março de 2011 | 08h29

O saldo de popularidade de Dilma Rousseff supera o de Lula no começo do seu segundo mandato e é o maior entre todos os presidentes desde a redemocratização, se forem comparados apenas as avaliações de cada um após os três primeiros meses de governo.

Os que aprovam Dilma, segundo o Datafolha, são 47%, contra 7% que reprovam: saldo de 40%, portanto. Em março de 2007, no início do seu segundo governo, Lula tinha 48% de ótimo/bom, mas 14% de ruim/péssimo, com saldo de 34%.

Dilma supera Lula em saldo porque é uma incógnita ainda para 12% dos brasileiros, segundo o Datafolha. Esses não sabem o que dizer do governo da atual presidente. Lula, ao contrário, já havia governado por mais de quatro anos em março de 2007 e apenas 1% da população não tinha opinião sobre sua gestão.

Como se vê no gráfico abaixo, o saldo inicial de Dilma supera os de Lula (também no primeiro governo), de Fernando Henrique Cardoso (nos dois mandatos), de Itamar Franco e de Fernando Collor. Nenhum deles começou sua administração surfando uma onda de crescimento de 8% na economia.

À medida que mais pessoas passem a ter uma opinião sobre o governo Dilma, talvez esse saldo caia (ou aumente). Aconteceu a mesma coisa com Itamar e Lula: um porcentual relativamente alto de eleitores não sabia avaliar seus governos três meses depois de eles terem tomado posse.

As pessoas que ainda não sabem avaliar o governo Dilma estão distribuídas em proporções muito similares entre ricos e pobres, entre quem não passou do fundamental e quem tem diploma universitário. Ou seja, não parece ser desconhecimento, mas o pouco tempo que a presidente passou no poder o principal motivo dessa taxa recorde de “não sei”.

O saldo positivo de Dilma é sensivelmente maior entre quem tem renda familiar mensal até 5 salários mínimos (42%) do que entre os que estão na faixa mais alta de renda (25%). Também é maior entre quem cursou até o fudamental (43%), do que entre os que foram à faculdade (34%).

As diferenças por renda e escolaridade são mais significativas do que as diferenças regionais. A presidente tem saldo positivo de 40% no Sudeste contra 43% no Nordeste, por exemplo.