Ciro espera Serra, que espera Dilma, que espera votos

Jose Roberto de Toledo

24 de fevereiro de 2010 | 20h22

Ciro Gomes (PSB) voltou nesta quarta a fazer o que mais gosta, desde o tempo em que era tucano: provocar José Serra (PSDB). Questionou se a candidatura presidencial do rival é para valer: “Há grande dúvida se o atual governador de São Paulo será mesmo candidato à Presidência da República ou não. Entre nós, a avaliação majoritária é que ele será candidato a presidente. A minha avaliação, minoritária, é de que ele não será, e haverá uma grande mudança no quadro se ele não for.”

É só provocação, ou é uma aposta sincera do ex-ministro de Lula e de Itamar?

À primeira vista, parece uma cutucada gratuita. Afinal, como alguém que é líder com 36% das intenções de voto no 1º turno, alcança 47% na simulação de 2º turno contra Dilma Rousseff (PT) e é apontado como favorito por 45 entre 100 eleitores poderia desistir de ser candidato?

Visto assim, parece impossível que o governador paulista abrisse mão da maior chance que já teve de virar presidente, seu sonho desde a adolescência. Mas Serra é frio e sabe fazer conta. A demora para declarar-se em campanha é muito mais do que uma tática para tentar proteger-se de ataques.

O governador avalia o seu potencial e dos adversários, apara as incertezas e tenta calcular os riscos. Para isso, precisa acompanhar a evolução das pesquisas, analisar a reação dos eleitores ao seu discurso e ao de Dilma, avaliar os pontos fracos da adversária. Ou seja, precisa de tempo.

Ciro espera a definição da candidatura tucana para decidir seu futuro. Não deve trocar os holofotes de presidenciável para o rame-rame de candidato-zebra a governador de São Paulo antes de saber se enfrentaria Serra ou Geraldo Alckmin na chapa do PSDB.

Ou seja, enquanto Serra espera a evolução de Dilma, Aécio aguarda em moita mineira, e Ciro espera o destino de Serra. Por isso as próximas pesquisas de fevereiro e março serão importantes. Elas ajudarão a preencher o grid de largada da corrida presidencial.

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