Chuva de cinzeiros à frente

Jose Roberto de Toledo

15 de julho de 2013 | 17h58

A queda do apoio ao partido até nos redutos eleitorais mais fiéis do petismo, apontada por pesquisa interna do PT, não ocorre só em São Paulo. A mesma pesquisa Datafolha que mostrou a popularidade de Dilma Rousseff despencando já sinalizava uma queda da simpatia nacional pelo PT, principalmente entre jovens.

Esses sinais de alerta foram compreendidos, ao menos em parte, pela cúpula do partido e do governo. A reação tem sido reforçar as ações governamentais nas áreas onde o petismo é mais forte há pelos menos uma década: periferias das grandes cidades e pequenas cidades do interior.

É para o interior que devem ir os médicos estrangeiros e os que queiram se formar daqui para frente. É na periferia que vive a população que mais anda de ônibus.

Isso significa também confrontar a classe média tradicional, que, por vários motivos, tende a não aprovar esse tipo de ação.

O cenário político e eleitoral que se está montando como reflexo das manifestações juninas e a subsequente reação da opinião pública e do governo é o de uma polarização social mais aguda. O PT vai tentar se abrigar junto ao eleitorado pobre e emergente, enquanto a oposição disputa a classe média politicamente órfã.

Nesse cenário, é muito provável que novos conflitos ocorram – ideológicos e físicos. Mais cinzeiros voarão da sacada para a rua, como aconteceu no sábado no Copacabana Palace no Rio. A diferença é que é capaz de a rua devolvê-los em dobro.

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