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Pesquisas favoráveis ajudam campanhas a arrecadar mais

Jose Roberto de Toledo

17 Maio 2010 | 20h43

(texto publicado na edição impressa de O Estado de S.Paulo)

Apesar de a sucessão presidencial ainda não ter chegado às ruas, a polêmica sobre as pesquisas de opinião são o prato de resistência na blogosfera. Os partidários de um e outro candidatos tendem a valorizar as sondagens que beneficiam seus preferidos e a atacar as que os apontam em pior situação.

Independentemente da precisão das pesquisas, a sua divulgação nos meios de comunicação e reprodução pela internet criam um fato concreto que influencia a vida dos candidatos, o ânimo de seus comitês e a dinâmica da campanha.

Mais intenção de voto implica vários benefícios para um candidato. O primeiro efeito é melhorar o moral da campanha: a militância fica mais motivada, acumulam argumentos renovados para debater com os rivais, enquanto candidatos e assessores ganham confiança na sua estratégia eleitoral.

Como consequência, fica mais fácil para os comitês alistarem novos cabos-eleitorais e multiplicar sua mão-de-obra digital: o exército de internautas partidarizados que vasculham a rede em busca de fóruns que tratem de política e eleição para deixar marcadas ali as suas posições, a defesa de seu candidato e ataques aos adversários.

Mas a influência das pesquisas não para por aí. A divulgação do empate de Dilma Rousseff com José Serra ajuda o PT a montar palanques estaduais para sua pré-candidato poder fazer campanha. Os potenciais aliados dão preferência a quem tem mais chances de vencer e de puxar votos para candidatos a governador, senador e deputado.

Finalmente, percentuais mais altos nas pesquisas têm reciprocidade no volume das contribuições financeiras que cada campanha recebe. Quem está na frente ou é percebido como favorito tende a arrecadar mais. Como há uma correlação positiva entre gastos de campanha e votos nas urnas, bons resultados nas pesquisas às vezes podem ser profecias auto-realizáveis.