O balanço da eleição, 1ª edição

Jose Roberto de Toledo

20 Fevereiro 2010 | 13h52

1) O cenário de fundo para a sucessão de Lula ficou ainda mais governista, com o saldo de aprovação do governo subindo para 71% (76% de ótimo/bom menos 5% de ruim/péssimo), segundo o Ibope.

2) Apesar de a candidata do governo, Dilma Rousseff (PT), ser considerada “favorita” por alguns analistas e políticos (por causa da aprovação recorde do governo), a percepção popular ainda é de que José Serra (PSDB) deve ser eleito presidente em outubro: 45% apostam nele, e só 26% jogam em Dilma, segundo o Ibope.

3) Por enquanto, a eleição não é uma preocupação real para a imensa maioria das pessoas. Só 1 em cada 4 eleitores sabe dizer, espontaneamente, em quem vai votar.

4) O fato de 3/4 dos eleitores não ter candidato na ponta da língua aumenta a volatilidade da intenção de voto estimulada. O entrevistador impõe um problema ao eleitor quando apresenta a cartela com os nomes dos presidenciáveis, um problema sobre o qual a maioria não refletiu em profundidade.

5) Serra é o candidato mais conhecido e com menor rejeição. Isso lhe dá uma vantagem inicial sobre os concorrentes. Na pesquisa Ibope pré-Carnaval ele aparece com 36% na pesquisa estimulada, contra 25% de Dilma, 11% de Ciro Gomes (PSB) e 8% de Marina Silva (PV), além de 11% que dizem pretender anular ou votar em branco e 9% que não sabem responder.

6) A vantagem inicial de Serra diminuiu desde o final do ano passado, à medida que Dilma é identificada como a candidata de Lula por uma parcela crescente do eleitorado governista.

7) A campanha tende à polarização entre o candidato de Lula e o principal candidato da oposição, sem espaço para um tertius.

8 ) Ciro funciona como linha auxiliar do governo e, por ora, mais ajuda do que atrapalha Dilma: no cenário em que o candidato do PSB não aparece como candidato, Serra tem chance de ganhar no primeiro turno (41% do tucano contra 38% dos adversários).

9) Marina tem pouco cacife. Ela é desconhecida por 1 em cada 3 eleitores. Dos que a conhecem, mais dizem que não votariam nela do que admitem essa possibilidade; lhe falta estrutura partidária, dinheiro e tempo no horário eleitoral. Mas Marina pode jogar um papel estratégico se, no meio da campanha, renunciar em favor de Serra, por hipótese.

10) A sucessão é um filme. Cada pesquisa é um fotograma que capta a cena eleitoral naquele instante. Para entender a história completa, é necessário olhar o conjunto dos fotogramas. Analisar o movimento dos candidatos, e tentar identificar as tendências do eleitorado. O instantâneo é pró-Serra. O movimento é pró-Dilma. Mas o filme mal começou e há muitas reviravoltas pela frente.

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